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Bem-EstarLifestyle

A Cada Cabelo Branco Novo

Durante a infância, ao lermos e escutarmos histórias, vermos filmes de animação conseguimos ter a capacidade de escolher um super-herói. Ou mais. Aquele com quem gostávamos de falar e que, ao longo da vida, queremos conhecer, mesmo quando sabemos que não existem.

É também durante a infância que muitos de nós nos cremos imortais. E crescidos. Queremos crescer, porque é como crescidos que ninguém manda em nós. Mal sabíamos o quão enganadinhos estávamos…

Também eu quis ser uma crescida. Uma crescida não, uma super-crescida, entre outras coisas.

Ingenuamente, acreditei que, apesar de querer ser crescida, havia uma qualquer poção mágica que permitiria que não me sentisse envelhecer.

Há uns anos apareceu-me um cabelo branco. Um!

Arranquei-o só para ter a certeza da cor.

Já era mãe de três filhos e, na altura, sentei-me no chão, com as pernas cruzadas, a apreciar o cabelo. A cor, a textura, a raiz… Ao meu lado, estava a minha filha, que me vasculhava a cabeça e remexia nos caracóis em fio, para me pentear.

Era-lhe indiferente se eu tinha o cabelo branco, castanho, roxo, azul, às bolinhas ou a atirar confetis.

Tenho uma relação especial com o Peter Pan. Tal como ele, à minha maneira, também eu não quero crescer. Devo ter parado na adolescência, na idade da estupidez, na idade em que acreditamos que não há impossíveis e que conseguiremos mudar o mundo para melhor.

Os anos têm passado e mais cabelos brancos me vão surgindo. A cada cabelo branco novo aumenta a distância entre mim e a Terra do Nunca. E, paradoxalmente, diminui a dita com o meu envelhecimento.

No fundo, e aos meus olhos, eu continuo a ser a menina que um dia queria voar de mão dada com o Peter Pan, depois dos ponteiros do relógio baterem nas 20h15, a que acha que nunca vai envelhecer, a que acredita que o mundo pode e deve ser mudado para melhor…

Estou a envelhecer. A crescer. Ainda a adaptar-me à nova cor que mora nos meus caracóis do cabelo.

A cada cabelo branco novo aumenta a distância entre mim e a Terra do Nunca. E, paradoxalmente, diminui a dita com o meu envelhecimento.

Porém, o Peter Pan não me deixa. Eu vejo-o em cada gargalhada dos meus filhos e sinto-o, quando, no olhar de cada um deles, reconheço o espanto das emoções e sensações novas que lhes são dadas.

Ainda havemos de voar juntos, eu o personagem de J. M. Barrie e chegarei “onde nascem os sonhos e o tempo nunca é planeado”, porque “pensamentos felizes fazem-nos voar”, com ou sem cabelos brancos. Mesmo que o envelhecimento nos espreite.

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Sofia Fonseca Costa

Nasceu numa quarta feira de Novembro, no ano 1984, mas não gosta de meio termos. Desde que se lembra que quer ser escritora e mãe. Dizem que no canto do seu sorriso mora um arco-íris. Vive para as palavras e afectos. Não gosta de chocolate. É formada em jornalismo e fez teatro durante mais de uma década. Mãe de quatro filhos a quem chama de Soneto. É autora do livro Murmúrio Infinito. Chamam-lhe Sofes Marie.

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