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Vice

Sonhar mais alto

E assim chega ao fim mais uma biografia requintada. Adam McKay, o aclamado realizador de “The Big Short” (2015), mostra como se faz, deixa o espectador desamparado no meio de tanta criatividade e genialidade cómica. Dá um novo olhar a uma comédia “séria” no conteúdo, irreverente na forma. Constrói o palco para Christian Bale brilhar infinitamente. O protagonista de “The Prestige” (2006) imortaliza a caracterização sublime do VICE-presidente de George W. Bush (protagonizado por Sam Rockwell), Dick Cheney.

Do nada, fez das fraquezas forças e foi à luta. Numa altura de decadência, sem rumo, Dick resolve dar uma volta à sua vida, revolucionar as suas ambições e tentar, a todo o custo, ir mais além. Numa altura em que já não havia esperança, foi o apoio incondicional da sua esposa, Lynne Cheney (interpretada por Amy Adams), que o impulsionou ao (im)possível de si, da sua grandeza, do seu sucesso.

Vice”, um filme que não deixa saudade (mas que entretém), satisfaz o intelecto, encantando pela transformação e performance de um actor cheio de provas dadas. Deu vida a uma figura política cega pelo poder, estrategicamente eficiente e cuidadosa em cada decisão que toma, estando sempre um passo à frente de tudo e de todos. Um filme de superação, de obstinação pelas leis mais supremas do ser. Faz jus à epígrafe “A mente levar-te-á longe, os valores a lado nenhum”.

Começa por dar à plateia um cheirinho de poesia, com uma citação anónima (genial) em grande plano: “Beware the quiet man. For while others speak, he watched. And while others act, he plans. And when they finally rest… he strikes”. A essência do filme, a magia da obra-prima, a índole do protagonista, o génio da ante-câmara: tudo imortalizado na simplicidade e sabedoria de uma audácia desmedida de sonhar mais alto.

Vice

Argumento - 80%
Interpretação - 85%
Realização - 90%
Cinematografia - 80%

84%

genial e irreverente, mas espiritualmente fugaz

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Tiago Ferreira

Um jovem sonhador, com uma atitude sagaz e espírito crítico, que gosta de estar a par da actualidade e de, sobretudo, questionar as entrelinhas. Centrando-me no essencial, gosto de acrescentar uma visão muito pessoal às coisas e de, acima de tudo, partilhar a minha verdade. Apaixonado por cinema, devoro literatura — sobretudo fragmentos e poesia —, e a escrita é a paixão primordial desde sempre. O grande desígnio passa por fazer a diferença no mundo através da sensibilidade e humanidade que fazem de mim um poeta da simplicidade.

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