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Thelma e Louise

Esta é uma história sobre duas mulheres, Thelma, uma surpreendente Geena Davis, e Louise, bem defendida por Susan Sarandon. Cansadas da vida que levam, rotineira e monótona, decidem fazer uma viagem que se irá revelar cheia de surpresas. A mestria de Ridley Scott valeu-lhe um Óscar e um Globo de Ouro. Para parceria com as duas actrizes, encontramos os actores Harvey Keitel, Michael Madsen, Christopher McDonald, Stephen Tobolowsky, Timothy Carhart e um jovem estreante, de nome Brad Pitt.

Thelma é uma dona de casa, estacionada nos 30 anos e Louise, uma empregada de restaurante, um pouco mais velha, são amigas de longa data. Estão descontentes com a vida que levam e decidem sair, à aventura, pelas estradas do oeste americano em busca de um fim de semana diferente. A ideia inicial era ficar na zona das montanhas, longe do marasmo quotidiano e deixar para trás, pelo menos durante aqueles dois dias, o marido machista de Thelma e o namorado indeciso e ausente de Louise, fazendo-lhes ver o seu verdadeiro valor.

Thelma não conta ao marido os planos pois ele nunca a deixa fazer nada divertido, conforme menciona.  Coloca quase toda a roupa que tem na mala, juntamente com uma arma, deixando o jantar do seu marido pronto e ainda um bilhete. Uma atitude que já é mecânica. Uma submissão de anos.

Louise chega a casa de Thelma no seu vistoso carro vintage, prontas para começarem a viagem e estão muito animadas. Pouco se sabe do relacionamento destas amigas, mas percebe-se que a ligação é muito forte. Durante a viagem Thelma pergunta a Louise o que lhe aconteceu no Texas, mas ela diz que não quer falar sobre o assunto.

À noite decidem parar num bar para relaxar antes de seguirem viagem. Thelma exagera na bebida e deixa-se seduzir por um engatatão da zona. Dança com ele e enquanto Louise vai à casa de banho, o homem vai com Thelma até ao estacionamento e tenta violá-la. Quando Louise chega, com a arma que Thelma nas mãos, pede-lhe para se afastar e se desculpar pela sua atitude. O homem, ferido no seu orgulho de macho, insulta as duas amigas. Louise dispara a arma, acerta-lhe no peito em cheio e ele fica caído no chão, morto.

A partir desse momento, as duas saem desesperadas com o carro, e quando Thelma sugere contarem à polícia o que aconteceu, Louise diz que não, que eles nunca acreditariam nelas, porque vivem num mundo dos homens e, além disso, todos viram que Thelma dançou com ele de livre vontade. O muito enraizado machismo que prevalece no imaginário masculino é caso para ponderação.

Decidem o caminho e o destino delas agora é o México, mas sem cruzarem o Texas, porque o segredo de Louise não lhe permite pisar nas terras desse estado. São perseguidas pela polícia, não como suspeitas do crime, mas como testemunhas, só que desconhecem o motivo. Como pretendem sair do país a qualquer custo, comportam-se como fugitivas, afastando do seu caminho qualquer pessoa que as possa atrapalhar. É neste momento que se inicia um percurso de violência.

Sentindo a corda a apertar no pescoço e com o FBI atrás delas, Thelma e Louise, armadas com os seus revólveres e óculos escuros, não deixam escapar um obstáculo que cruze o seu caminho. Para se livrarem de um polícia que só as iria multar por excesso de velocidade, fecham-no no porta bagagens do carro. Completamente desorientadas, fazem explodir o camião de um motorista tarado, que passa a viagem toda a falar e a fazer obscenidades.

No desenrolar do filme assistimos à transmutação das amigas. Louise, a ingénua e humilde dona de casa, descobre a beleza do sexo livre e a alegria de viver. Thelma solta a sua personalidade selvagem. Transforma-se numa profissional do crime. Os seus olhos vibram quando J.C faz a descrição de um dos seus assaltos. Absorve todo o conteúdo e copia-o fielmente, mais tarde.

Após uma perseguição acérrima, a polícia consegue encurralá-las. O seu vasto currículo não deixa margem para dúvidas. São perigosas. Há que ser coerente. De um lado está a polícia, armada até aos dentes e do outro é apenas um precipício, o Grand Canyon. É o momento decisivo. Aquele fim de semana seria para as retirar da rotina e acabou por ser o momento da verdade.

Os diálogos e a banda sonora são claros indicadores do desfecho: “Aconteceu algo comigo e não posso voltar”, diz Thelma a Louise, com os seus cabelos ao vento e a sua 38 na mão, “vamos continuar”. Decidem avançar para o que se poderá chamar de infinito, um abismo que lhes será fatal, mas que não as poderá jamais separa nem punir. Para isso, bastou-lhes terem nascido mulheres e estarem condenadas a condições sempre desagradáveis e degradantes.

Entre elas estabelece-se um pacto, que o olhar denuncia e entende. Está decidido. O caminho é em frente. Para sempre! Louise pisa a fundo no acelerador e, de mãos dadas, as duas mulheres aventuram-se no desconhecido que a morte, no belíssimo e misterioso Grand Canyon, lhes poderá proporcionar.

Paz finalmente!

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Margarida Vale

A vida são vários dias que se querem diferentes e aliciantes. Cair e levantar são formas de estar. Há que renovar e ser sapiente. Viajar é saboroso, escrever é delicioso. Quem encontra a paz caminha ao lado da felicidade e essa está sempre a mudar de local.

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