Ter duas mães no Dia do Pai

Se pudéssemos usar uma palavra que descrevesse o mundo atual, seria “adaptação”. Eis que chega o dia em que os alunos da escola primária fazem os seus trabalhos manuais sobre o Dia do Pai. Há, então, uma aluna que não tem um pai e uma mãe, mas sim duas mães. Participar neste dia, é problemático para a criança?

Antes de formarmos opiniões e reflexões sobre este tema, devemos debruçar-nos sobre que o ser humano não nasce com preconceitos, eles são-lhes incutidos por uma educação, religião, ou por vezes opiniões políticas. Revelar uma informação fora do comum a uma criança não é tão dramático como é para um adulto, porque elas normalizam as novas informações quando não são influenciadas a pensar de uma maneira discriminadora. Relativamente à própria criança, não é menos confuso do que outra que o pai já tenha falecido, ou até que tenha pai desconhecido. Nesta modesta opinião, deve-se dar à criança a hipótese de fazer se quiser, e se o fizer, entregar a quem ela deseje, podendo até ser um avô, ou simplesmente fazer dois trabalhos mais simples para entregar a cada uma.

A simplicidade do pensamento de uma criança é também exemplo quando se fala num assunto que pode cruzar-se com este tema, a adoção. Mesmo na adoção feita por um casal heterossexual, prova-se constantemente que esperar que uma criança seja adulta para revelar essa informação é errado, principalmente se isto for revelado na adolescência. Isto, porque provavelmente ela irá sentir-se enganada e traída, com uma carga dramática muito forte. Já sabendo disto em criança, é algo que ela conhece desde sempre, que apesar de que possa questionar, não é nada desconhecido. Em relação às outras crianças, elas irão maltratá-la?

A probabilidade de esta criança sofrer humilhações não é maior do que uma criança que tenha alguma característica física fora do comum, como orelhas muito grandes, por exemplo. Este é talvez dos únicos casos que a palavra “sorte” realmente se encaixa, os contextos escolares que as crianças crescem, ou são inseridas, não dependem delas. Há crianças que podem ser constantemente colocadas de lado, simplesmente por serem extremamente tímidas e nunca conseguirem fazer amizades facilmente. A melhor forma de proteger uma criança dos perigos externos, é dar-lhe segurança, estabilidade e amor no seu lar. Independente das diferenças que existam, é desta forma que se pode tentar lutar para que esta criança seja feliz. Pois afinal, é para isso que estamos aqui.  

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Novo Acordo Ortográfico

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