Sou feminista e ponto final

Ser mulher nos dias de hoje é mais fácil do que há algumas décadas. Entrámos no mercado de trabalho, podemos votar, temos direito à educação (as mulheres estão até em maioria entre os estudantes do ensino superior) e à liberdade de pensamento. E por isso confesso que achei, na minha ingenuidade, que estávamos a caminhar para um mundo melhor… até que li a crónica da médica ortopedista Joana Bento Rodrigues no Observador.

A médica diz coisas como: “A mulher gosta de se sentir útil, de ser a rectaguarda e de criar a estabilidade familiar, para que o marido possa ser profissionalmente bem-sucedido. Esse sucesso é também o seu sucesso! Por norma, não se incomoda em ter menos rendimentos que o marido, até pelo contrário. Gosta, sim, que seja este a obtê-los, sendo para si um motivo de orgulho. Porquê? Porque lhe confere a sensação de protecção e de segurança. Demonstra-lhe que, apesar de poder ter uma carreira mais condicionada, pelo facto de assumir o papel de esposa e mãe, a mulher conta com esse suporte e apoio do marido, para que nada falte. Por outro lado, aprecia a ideia de “ter casado bem”, como se fosse este também um ponto de honra.”

Como é que é possível que, em pleno século XXI, ainda existam pessoas – mulheres, neste caso – que acreditam que o papel da mulher não é mais do que cuidar do lar, cozinhar e ser uma boa esposa e mãe?

Nem todas têm o sonho de casar e ter filhos. E cabe a cada uma de nós tomar essa decisão. Acho que falo em nome de todas quando digo que não vamos aceitar ser desconsideradas perante os homens (nem perante outras mulheres), limitarmo-nos a papéis secundários ou ser objectificadas sexualmente.

Somos livres de fazer aquilo que bem entendermos da nossa vida e do nosso corpo. E não nos vamos subjugar a convenções retrógradas de mentes pequenas. Porque o lugar da Joana Bento Rodrigues pode ser na cozinha, qual dona de casa exemplar, mas o das restantes mulheres não é.

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Comments 1
  1. Isso era o que os avós passavam aos filhos e netos.
    Passavam essa ideia de geração em geração, de qual era o lugar do homem e da mulher.
    Hoje em dia não se pensa assim, pelo motivo de haver mais liberdade de escolha e também de haver direitos de igualdade.

    Beijinhos
    Os Piruças

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