S. Leonardo de Galafura: A festa e a vista de cortar a respiração

A viagem é tortuosa. São muitas curvas e contracurvas. Mas vale a pena. Vale realmente a pena.  Fica entre Vila Real e o Peso da Régua, na aldeia de Galafura.

A aldeia é pequena. As pessoas são simpáticas e o seu “calão” é reconhecido facilmente. A subida é íngreme, pois estamos a falar de 566 metros de altitude para chegarmos ao miradouro, o Monte de S. Leonardo.

Perdi a conta às vezes que já lá fui. Lembro-me de ser pequena e de o caminho ser ainda mais tortuoso do que este que agora é possível fazer. Demorávamos horas para lá chegar. A barriga andava às voltas e reviravoltas e aguentar o que lá se tinha não era para todos.

“Matar o bicho” era – e ainda é – a expressão que logo pela manhã se fazia ouvir entre as pessoas. Resumindo, “comer qualquer coisa” era o primeiro convite para aquilo que se apresentava na mesa como pequeno-almoço. Entre pão (feito em casa e em forno a lenha), presunto, carnes cozidas e queijo de fabrico caseiro, começava o dia.

Na época das festas de Verão, normalmente no penúltimo fim de semana de Agosto, os dias são de animação e acompanhados de bailaricos. O ponto alto, no domingo, conta com uma procissão da Igreja ao Monte de S. Leonardo, onde o almoço é aí servido. Cada um leva o seu. E entre tachos e panelas há sempre lugar para mais um.

Leonardo e Stª Bárbara, foram sempre os nomes sonantes que lá ouvi, desde pequena. A procissão é grande, mas a grandeza está é nas pessoas, porque a viagem é longa e custosa. E a meta é a capela que fica situada no monte.

A visita ao miradouro é obrigatória. É de, literalmente, cortar a respiração. É sobre o Douro. As vinhas e o rio. E quando está nevoeiro, imagine-se, ficamos por cima das nuvens. Tipo algodão doce e que nos permite remeter essa visão à vida, e refletir que às vezes é só mudar o ponto de vista para termos outra perceção das coisas.

Por lá tem um restaurante com refeições boas. Sabores típicos do norte. Bem confecionado e acessível.

Antes ou depois, ou antes e depois de aconchegar a barriga, convêm (re)lembrar o monte que, como não poderia deixar de ser, tem lenda, de D. Mirra. Uma delas reza que “Ela era uma cobra encantada que vivia ali junto à capela. Dizia-se que se um jovem fosse lá de noite e pusesse lá uma toalha ela depois aparecia. Mas não a podiam temer, tinham que lhe dar um beijo para ela se transformar”.

A aldeia mantem as tradições festivas. O monte mantem a sua capela e o seu miradouro, portanto, lendas à parte, é um bom motivo para um bom passeio.

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