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Quem nunca viu um episódio, que atire a primeira pedra!

Acompanho as aventuras e tragédias de Meredith Grey (Ellen Pompeu) desde 2006, ano de estreia da série em Portugal. O que inicialmente se apresentou como uma série de médicos, no rescaldo de grandes sucessos como ER – Serviço de Urgência e Dr. House, veio a revelar-se muito mais que isso. 

No ar há mais de 15 anos, é quase como se estivéssemos a crescer juntos, nós, espectadores, e Meredith, tal é a evolução das personagens e do mundo nestes anos. Da descoberta do seu McDreamy – Derek Shepherd (Patrick Dempsey) à relação complexa com a mãe (Kate Burton), passando pelo amadurecimento enquanto profissional, com a ajuda do seu mentor, Richard Webber (James Pickens Jr.). São inúmeros os acontecimentos na vida da personagem que a levam da jovem interna à cirurgiã de sucesso e mãe de três. A twisted sister de Cristina Yang (Sandra Oh), é agora uma profissional experiente e atenta, uma mulher forte, independente e segura de si. 

Anatomia de Grey segue firme e forte. Manter-se atual, envolvente e relevante na maioria do tempo não é tarefa fácil para uma série tão longa, sendo já uma das séries com maior duração de sempre. Reter a atenção do publico, gerir a entrada e saída de personagens, preservar a essência da história intocável não é fácil, mas a verdade é que a genialidade (e crueldade!) de Shonda Rhimes continua a fazê-lo como ninguém.

São inúmeros os acontecimentos que provam a genialidade do argumento, que nos agarra ao sofá ou nos leva para a sala de operações. Como esquecer o choque e a angústia do momento em que Meredith compreende que o paciente desconhecido dos cuidados intensivos é na verdade o seu melhor amigo George O’Malley (T. R. Knight), na temporada 5? Se me for possível definir o momento em que senti que esta não era uma serie como as outras, eventualmente foi este. Ou o revoltante acidente de avião da temporada 8, que dizimou algumas das personagens mais queridas do público e que magoou todas as outras? É quase como se de uma forma cruel e retorcida, os criadores da série fossem eliminando as personagens mais adoradas e desenvolvendo cenários absolutamente catastróficos. O certo é que a receita funciona.

No entanto, não há bela sem senão…

É praticamente impossível que uma série no ar há tantos anos não caia inevitavelmente na repetição. E a verdade é que, nas últimas temporadas, a emoção que caracterizou a história foi sendo perdida, foram tomadas decisões controversas e que podem significar que a série está na sua curva descendente.

Um dos momentos mais graves desta falta de inspiração foi a repentina e, até ao momento, pouco clara saída de Alex Karev (Justin Chambers). Uma das últimas personagens do elenco original, das que teve o crescimento mais interessante ao longo dos anos e que acrescentava uma certa dose de irreverência, algo que, com a maturidade das personagens, se tornou cada vez mais raro, abandona a narrativa de forma inesperada e com uma conclusão, no mínimo, estranha. À exceção de alguns momentos mais inspirados, a maioria dos episódios das últimas cinco temporadas seguem a normalidade, com conforto e sem grande drama… até entrarmos na temporada 17 e vermos o drama real dos últimos 24 meses ser vivido intensamente pela nossa equipa de médicos favorita. Ainda não concluí a temporada 17, mas posso afirmar que os primeiros episódios me levaram novamente para a angústia de Março de 2020.

Há tanto para falar sobre Anatomia de Grey, que tudo o que seja dito fica aquém do que a série é e do tanto que nos dá. Seja pelas inúmeras expressões que colocou no nosso dia a dia, seriously!! Seja por todos os assuntos que, certeiramente, nos fez e faz refletir.

Todos os episódios têm sempre dois lados, que estão interligados e que se completam entre si – os casos médicos e a vida pessoal da equipa. É este equilíbrio, por vezes totalmente desequilibrado, entre o pessoal e o profissional que a torna tão cativante, que nos envolve, emociona e que, muitas vezes, nos parte o coração. Contudo, o facto é que continuamos irremediavelmente, semana após semana, em frente da TV, numa espera ansiosa pelo próximo episódio, tal como fazíamos há 15 anos atrás.

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Novo Acordo Ortográfico

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