Será que a mentira é uma falha que põe em causa quem somos? É o que pretendo pensar convosco.
Uma pessoa muito mentirosa não valoriza a verdade. E pode levar a enganos próprios, a dada altura, e já não saber o que é mentira e o que é verdade.
E se há várias formas de mentira: até que ponto somos todos mentirosos? Não acho que sejamos todos mentirosos, felizmente. Se mentimos, isso põe em causa quem somos, certamente. Não queremos viver num mundo de mentiras. Depende de muita coisa diferente: do espaço, do tempo, de quem somos, com quem estamos, do tema e tom da conversa. Nenhuma conversa é só e apenas mentiras.
O que é mentir? Será o mesmo que querer enganar? Mentir com intenção será diferente de não percebermos que estamos a mentir e a enganar? Imagino que depende, cada caso é um caso: há pessoas que são muito sinceras e outras pessoas para quem é usual mentir — torna-se num hábito.
É bom convivermos, todos tão diferentes de bem, uns com os outros. Discutimos e conversamos pouco uns com os outros, e, em certas matérias, mais do que em outras, ainda menos. Há sociedades mais mentirosas do que outras e zonas também, o convívio entre mentirosos faz a mentira crescer. Pessoas mais desconfiadas do que outras. E se tornamos a mentira comum, temos de aceitar poder ser enganados de vez em quando. É natural que a mentira cresça quando a tornamos comum. Há um hábito de conversar mais ou menos e com mais ou menos verdades e/ou mentiras.
Tenho o privilégio de ter vivido com pessoas que davam muito valor à conversa e em espaços onde o pensamento era levado de forma mais leve. Conversar bem faz tanta falta, verdadeiramente. Suponho que num espaço em que se converse mais e sejamos verdadeiros se viva melhor, mas não acho que o nosso mundo seja mentiroso, conversa-se é pouco, muito pouco, dizemos coisas, não conversamos.