A viagem mais estranha que já fiz

A viagem mais insólita que fiz até hoje, aconteceu em julho de 2010.

Para entrevistar uma das pessoas chave, para a concretização da minha tese de mestrado com o tema: The Doors – Bandas como  marcas que constroem os novos mitos, rumei ao Porto. Sim, por incrível que pareça um dos maiores especialistas na matéria – a banda The Doors – é Português! Chama-se Rui Pedro Silva tem vários livros publicados sobre a banda e é reconhecido pelos próprios Doors como um expert sobre a sua história.

A entrevista ficou agendada para o dia 3 julho, precisamente no dia em que faria 39 anos sobre o desaparecimento do Jim Morrison, o vocalista da banda. Nada acontece por acaso e o Rui tinha acordado com um bar nos Clérigos trazer um conhecido guitarrista português para tocar músicas dos Doors na rua e assim prestar a devida homenagem.

Pouco antes da partida,c o Rui liga-me a perguntar se poderia dar boleia ao guitarrista até ao Porto, como é óbvio, disse logo que sim e acedi em levar o Phill Mendrix comigo. Para a ida ao Porto tinha combinado fazer a viagem com a minha prima e na hora combinada estávamos à porta do virtuoso e saudoso guitarrista Filipe Mendes para rumarmos os três até ao Porto.

Não fazia ideia que era o Phill Mendrix e até chegar à porta da sua casa achei que iria encontrar um guitarrista americano. A receção foi tudo menos calorosa, a mulher do artista estava furiosa por ele ir até ao Porto tocar num esforço que consistia em ir e vir no mesmo dia e tocar de graça, só para fazer um gosto a um amigo! Quando nos viu à porta da sua casa, parecia deitar fogo pelos olhos! O Phil por outro lado, estava descontraído e bem disposto.

Tínhamos à nossa frente um dos maiores guitarristas portugueses de todos os tempos, um ícone, o “Jimi Hendrx” português, um homem cheio de histórias e história. Um roqueiro à moda antiga, um músico como poucos com qualidades musicais sublimes e reconhecidas, bem disposto que facilmente se enturmou com  duas desconhecidas.

O meu mini carro viu-se assim ocupado por um amplificador que não cabia no porta-bagagens, uma guitarra, mais um passageiro e as nossas bagagens. Arranjamos maneira de enfiar tudo no carro e arrancar para o Porto. No caminho o Phill relativizou o comportamento da mulher, com preocupação e cuidado com ele. Ele, por outro lado, estava eufórico com a possibilidade de ir ao Porto tocar música dos Doors na comemoração de uma data tão importante para os fãs da banda.

Os quilómetros que separaram Lisboa ao Porto foram passados a ouvir as aventuras do Phill Mendrix! A viagem de carro foi também uma viagem no tempo onde o Phill partilhou algumas das suas histórias, onde nos rimos muito com o seu bom humor e situações insólitas. A forma inusitada como tudo aconteceu,  os inesperado de toda a situação relevou-se uma aventura e tanto.

Ao chegar ao Porto, deixamos o Phill com o Rui na esquina da rua onde iria tocar, com a guitarra e seu o amplificador e fomos procurar lugar para estacionar. Ao subirmos a rua para ir ao seu encontro, os acordes do Roadhouse Blues enchiam-nos os ouvidos. Foi nesse momento que pudemos comprovar a excelência e a paixão de guitarrista que era, foi um momento: UAU da noite, os Doors teriam ficado deslumbrados com a sua mestria.

Toda a rua parou para vê-lo e ouvi-lo tocar.

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