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O caminho sinuoso da fé

Ninguém tem dúvidas do impacto que a religião teve na história da humanidade, tem sido um caminho algo sinuoso. Muito embora a procura da paz esteja nos valores de todas as religiões, historicamente, têm até estado na origem de algumas guerras. Até que ponto a religião tem vindo a ser benéfica para humanidade?

Muitas vozes, alegam que o custo-benefício tem sido negativo, uma vez que a promoção de diferentes visões por todo o mundo, tem sido motivo de conflitos e guerras desde o início da humanidade, sendo que a devoção tem sido uma arma ou uma forma de controlo social. Por vezes, estes cultos de fé induzem a uma demência coletiva, que leva as pessoas a fazer coisas erradas, exemplos dos casos das perseguições da inquisição na igreja católica, ou as vulnerabilidades relativamente aos abusos sexuais na igreja, casos de corrupção, ou o radicalismo islâmico e terrorismo. Na afetação do individuo na sociedade, a igreja não tem propriamente sido reconhecida pela estimulação do papel da mulher na sociedade. A igreja e a ciência têm estado de costas voltadas, sempre seguiram caminhos diferentes, o que tem abrandado o avanço tecnológico.

Por outro lado, a essência de todas as religiões baseiam-se em boas práticas, bons princípios e no bem-estar psicológico. No fundo, todos os ensinamentos religiosos, conduzem a uma consciência altruísta, humilde e cortês, assentes numa filosofia de bondade e num código de valores morais. A humanidade tem-se construído e organizado em torno das religiões, muitas das culturas mundiais provêm da religião, o que tem conduzido à reunião de pessoas e à criação de laços em sociedade, motivando também a solidariedade e a promoção de atos isolados de caridade e voluntariado. Muitas pessoas procuram na religião, uma esperança e o sentido da sua vida, numa tentativa de procura de respostas e motivação em momentos mais delicados.

O esoterismo, com cada vez mais adeptos, quer através da meditação, magias, Reiki, entre outros, levam a crer que o ser humano se pode redimir a si mesmo, o que bate de frente com os ideais do Cristianismo, onde apenas a divindade de Jesus Cristo e a graça de Deus podem levar ao caminho da salvação. Será que as religiões levam à busca de uma origem espiritual e procura do eu? Ou por outro lado, têm desencorajado a exploração pessoal e espiritualidade individual?

É impossível ignorar o impacto da religião e igrejas no desenvolvimento geral das sociedades e em particular dos indivíduos, assim como no surgimento de dogmas, mitos, deuses, santos, dando azo a crenças muito particulares e desta forma também o surgimento de rituais, praticados por milhões de pessoas no planeta.

Existem tantas religiões como pessoas diferentes, pois todos temos uma crença singular. Um Deus pessoal. Uns chamam-lhe Deus, Alá, Jeová, Buda, outros remetem para o “Universo”, mas todos precisam de explicações e ter algo em que acreditar, até os mais céticos. Quer os agnósticos, que nem negam nem confirmam, ou os ateus que negam a existência de Deus, acreditam em algo, nem que seja no seu instinto.

Nas alturas de grandes apertos, quando vemos o nosso mundo a deslizar para as trevas, toda a gente quer ver uma luz, até mesmo quem em nada crê é mais religioso do que pensa. Todo o ser humano tem pelo menos uma altura em toda a sua vida, onde a sua devoção aumenta e pede um milagre.

Apelar a Deus, quando o vento sopra contra, para superar as dificuldades, é confortável, traz ânimo e esperança. Quando o vento sopra a favor, muitos interpretam como um sinal de Deus para nos ajudar. Quando alguém entra na nossa vida para melhor, foi Deus que colocou, quando alguém sai da nossa vida, foi Deus que nos ajudou a ver que não era bom para nós. Ajuda a fundamentar a nossa fortuna.

A religião certa não se discute. Deus não tem religião! O coração é o nosso templo, devemos acreditar no que faz sentido para nós, naquela que é a nossa realidade e crença pessoal. A religião certa, é aquilo que em cada um acredita. Tal como pronunciado pelo Papa Francisco, “Quem é da luz não mostra sua religião, e sim o seu amor”.

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Ricardo Manuel Santos

Mais que um profissional IT, sou um colecionador de experiências e viagens. Atento à relação entre o progresso tecnológico e inerente evolução social. Critico e opinativo por natureza, procuro sair da minha zona de conforto para evoluir, acredito que a única constante da vida é a mudança. De caligrafia torta e ideias rasuradas vou continuando a escrever o meu próprio destino! Visto-me de paixão e faço o hoje valer a pena, pois tudo é viver. Simples assim.

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