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O caminho do cisne

Em que ponto acreditamos que descobrir a nossa própria identidade era sinónimo de sucesso?

Desde a nossa infância que somos bombardeados por estereótipos. Paradigmas que, como sociedade, admitimos como normais e aceitáveis. No entanto, o que acontece quando um de nós tem a audácia de ser diferente e questionar esses padrões de normalidade? Olhar e pensar de maneira diferente torna as nossas vidas mais difíceis?

A história do patinho feio veio não é só para explicar a diferença entre patos e cisnes, mas também o esforço de cada um de nós para nos assemelharmos aos outros. Não porque seja melhor, mas porque é indicado para a nossa sobrevivência. A falsa segurança de imitar a maneira de olhar e pensar dá-nos a sensação equivalente a pertencer e viver juntos de forma estável.

É que tudo que põe em xeque os nossos pré-conceitos, tanto pessoais como da sociedade, representa uma ameaça à estabilidade da estrutura em que vivemos. E é aí, nessa guerra de trincheiras entre patinhos e cisnes, que cada um escolhe o seu lado.

Agora, como é que os patinhos feios se reconhecem?

Hans Christian Andersen explica-nos com a sua história que o primeiro sinal de estar no caminho do cisne é o isolamento e o sentimento de não pertencer. Percebemos que algo não se encaixa e, por detrás disso, julgados. Porque é assim que a sociedade dos patos se defende das ameaças e tenta neutralizá-las.

Mesmo assim, aparecem ao longo desse caminho seres e situações que ajudam a entender o que está a acontecer e permitir-nos reconhecer o potencial de cada indivíduo. Esse auto-reconhecimento é essencial, a chave que vai libertar os cisnes de ficarem presos numa vida de patos.

No entanto, para aqueles que quebram os moldes, a vida não será fixe. O preço do caminho do cisne é o desapego, a frustração, a dúvida, os medos e a solidão.

Contudo, sempre há uma luz no fim do túnel. Como na história, o destino dos cisnes é encontrar aquela lagoa onde possam ver o seu reflexo e descobrir a sua verdadeira identidade.

Reconhecer-se como cisne será o primeiro passo dos patinhos feios para conseguirem identificar a própria espécie e juntos descobrirem que o que foi criticado por todos é, na verdade, uma plumagem bela e única.

Rodrigo Gonzalez

Advogado argentino que virou escritor nómada é criador do projeto "Terapia Nomade" que já leva 4 anos recorrendo o mundo. Apaixonado por viagens à boleia torna visíveis relatos de vida criando contos de pessoas incríveis a cada passo. Viajar para quebrar as estruturas sociais impostas, ter coragem e fazer da nossa vida uma história memorável, foi o mote que o levou a vender todos os seus pertences e saltar no imprevisível.

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