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Nenhuma seleção natural

Na década de 1850, Darwin escreveu A Origem das Espécies, sabemos disso. Neste livro, o naturalista britânico afirmava que as linhagens evoluem, trazendo consigo traços herdados que as ajudam a se adaptar e a superar outras com menos aptidões genéticas. Este sistema de sobrevivência foi denominado “Seleção Natural”.

Bem, descobrimos que levamos esta teoria biológica muito a sério. Tanto que, embora troquemos ratos por humanos, sempre chegamos ao ponto de acreditar em nós mesmos com algum “traço herdado” que nos dá o direito de ser independentes dos demais. Isso não é mau, quem não gosta de ser independente? No entanto, com a independência, geralmente vem a sua irmã mais nova, a indiferença. Podemos ser uma coisa e evitar a outra?

Alguns acreditam que, assim como as pernas da mesma mesa, a independência exige que sejamos individualmente irresponsáveis ​​e, claro, indiferentes. Em suma, é com tudo isso que acreditamos que podemos superar os outros e nos imunizar pela força do distanciamento social e emocional. Alguém acabou de ter um dejá vu?

O resultado é desastroso. Nós tornamo-nos os maiores expoentes do egoísmo. Qual “mulheres e crianças primeiro”? Mas espere, não há nada natural nisso. Essa é a responsabilidade absoluta e total do ser humano. Confundimos a individualidade saudável com aquele mecanismo de defesa que consiste em matar ou morrer. E assim vamos nós, tentando ser incontestáveis ​​antes do que dizemos e fazemos.

Porém, o que ainda não entendemos é que o “traço” que nos faz sobreviver como sociedade é justamente a consciência de grupo.

Admitimos que é mais fácil e seguro escondermo-nos atrás da máscara de “Eu sou eu e o mundo que se lixe”, mas os nossos medos e dores não compram este engano. Não só somos capazes de ferir com a nossa indiferença, mas também somos incapazes de admitir os nossos erros e ter empatia.

Caro leitor, improvise algumas palavras comigo: “Desculpe”, “Desculpe ter feito isso”, “Não foi justo falar assim consigo”. Repita duas vezes ao dia com o estômago vazio e antes de dormir.

Darwin não esperava isso, o ser humano foi capaz de criar um “traço” sociológico distante da genética onde o mais forte é aquele que tem menos consciência social, aquele que carece de empatia, aquele que é incapaz de analisar criticamente as suas ações e que esconde sua dor causando mais dor. No fundo, devemos estar cientes de que a tranquilidade desejada não vem de nos sentirmos superiores aos outros, mas de nos percebermos como parte de um todo. Porque, sejamos honestos, ninguém consegue ficar calmo, se tudo arder ao nosso redor.

Rodrigo Gonzalez

Advogado argentino que virou escritor nómada é criador do projeto "Terapia Nomade" que já leva 4 anos recorrendo o mundo. Apaixonado por viagens à boleia torna visíveis relatos de vida criando contos de pessoas incríveis a cada passo. Viajar para quebrar as estruturas sociais impostas, ter coragem e fazer da nossa vida uma história memorável, foi o mote que o levou a vender todos os seus pertences e saltar no imprevisível.

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