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Hegemonia

O fim de uma era.

No virar do século XX para o século XXI, um novo actor entrou em cena, na disputa pelo poder do mundo, Vladimir Vladimirovitch Putin, presidente da jovem Federação Russa, o maior país do mundo, multicultural, com mais de 100 dialectos, 175 milhões de habitantes, onze fusos horários e três de quatro estações em simultâneo.

A história da Rússia, transporta-nos para lá do sec. IX d.C., tendo por base as evidências arqueológicas, demonstram que a “Rússia” se tenha formado com um grupo étnico por volta do II milénio a.C., e que por volta do Séc. VIII a.C., os eslavos (o povo que deu origem aos povos europeus), entraram na Idade do Ferro e iniciaram a sua gradual expansão para leste e para sul.

Em termos práticos, a “Rússia” tem cerca de 4.000 anos de existência, partilha com a China (mais de 4.000 anos) e o Irão, como remanescente do Império Persa (mais de 2.000 anos), uma característica que a tornam membro por direito, de um clube restrito, o clube dos impérios, naturalmente, que a este clube restrito, também pertence o Império Britânico, com pouco mais de 600 anos.

Ao longo da história da Europa, a luta pela hegemonia continental, tem sido uma constante, da hegemonia do século I ao século XV da nobreza negra veneziana (vulgarmente tratada por “Vaticano”), e a multipolaridade do século XV ao século XIX, com os diversos impérios que emergiram da expansão marítima, o português, o espanhol, o francês, e mais tarde que os anteriores, surgiram o império holandês, o belga, e outros menos relevantes, tais como o império prussiano, e o império alemão de Bismarck.

O século XX marca um conjunto de acontecimentos, que uma proeminente figura do século XVIII, de certa forma delata, mas que não se concederam as devidas atenções. Albert Pike, um proeminente advogado, escritor, militar e maçon americano, que no final do século XVIII endereça a um seu amigo, Giuseppe Mazzini, uma “agenda”, através de uma carta, em que estabelece a necessidade de deflagrarem duas guerras mundiais na planície europeia, não muito distantes entre si, e a terceira no Médio Oriente, além de outras agendas, que sempre são vistas como (e ainda hoje assim o são) teorias da conspiração. A carta esteve exposta em Inglaterra, num museu, tendo sido retirada inexplicavelmente em 1977, o público nunca mais teve (nem o voltará a ter!!!) acesso ao documento, soberbamente preservado, diga se de passagem.

Era extremamente importante que as sociedades ocidentais, reflectissem um pouco mais acerca das suas “supostas verdades” e da sua longa história, porque, mudanças avizinham-se, novas transferências de poder estão neste momento a todo o vapor, e dos conflitos pelo poder, nascem conflictos fratricidas. Ou, bem mais confortável, deixemo-nos continuar a viver no mundo do faz de conta ocidental.

A história é uma memória viva, e conduz-nos em ciclos intemporais, na realidade, não podemos alterar a sua memória, no entanto, podemos simplesmente, a contar de forma diferente e até contrária, é uma questão de opção.

O século XXI marca mais um fim de ciclo na nossa história, e como qualquer fim produz, um novo ciclo emerge. A hegemonia do Império Anglo-Saxão está (felizmente) no seu leito de morte, e como qualquer besta ferida de morte, é nos seus últimos suspiros, que se torna muito mais perigosa, o Império Anglo-Saxão ainda vai ceifar mais vidas até ao seu último suspiro, e dos seus escombros, as convulsões sociais emergem, a tirania e o despotismo serão lei, tudo porque, somos prepotentes, indigentes e nada esclarecidos.

Três derrotas pesadas o ocidente está a sofrer neste momento, e, no entanto, ainda existem mal esclarecidos, ignorantes e déspotas que gritam Slava Ukraína, o G7 é o maior e a democracia é a rainha dos regimes políticos. No último caso, Platão deixa bem claro o que é a democracia, para lá dos quadros bonitos visíveis, um regime tecnocrata que invariavelmente conduz a um regime déspota e tirano, no segundo auto de loucura, a economia mede-se por bens tangíveis, e não pela impressora de nota ou cartas de crédito, o G7 é simultaneamente devedor de cerca de 75% da dívida mundial, vive se a crédito e desindustrializados.

No campo militar, a Ucrânia (desde o dia 22 de fevereiro de 2022) está a ser cilindrada, nivelada e compactuada, sem dó nem piedade, mas não o é pelos russos, é pelo ocidente demente que patrocinou, treinou e dirige a Ucrânia para o abismo, os russos só distribuem fogo de artifício. Na Palestina, os donos do mundo (sionistas anglo-saxões), cometem todos os tipos de crime possíveis e imaginários, sem qualquer remorso ou barreira que os pare, no entanto, as manifestações pró-palestina, são reprimidas. Com alguma atenção, perceberíamos que a “guerra ao terror” serviu para cometer crimes no Médio Oriente e para nos educar na xenofobia e racismo, os muçulmanos deixaram de ser humanos, para serem terroristas.

A competição é a lei da selva, e a cooperação a lei da civilização, a competição que a hegemonia ocidental imprime no mundo, tornou-o nesta selva nefasta, é a cooperação que torna o mundo seguro e estável, não a competição.

O ocidente comporta-se como um miúdo mimado, birrento e mal-educado, promotor do caos e da desordem, o mundo precisa de adultos na sala, e eles estão a chegar, mesmo a tempo de assentar a mão na cara do miúdo mal formado. O sul global já ultrapassou o G7 em termos económicos, industriais e até políticos, o que torna os restantes países ocidentais nas próximas nulidades do mundo, Portugal incluso.

Há data que escrevo esta peça, celebro simultaneamente a vitória sobre o fascismo europeu, que ocorreu precisamente há 79 anos, no dia 8 de Maio de 1945, Berlim capitulava, e no dia 9 de Maio de 1945 o nacional-socialismo, algo que o Ocidente nunca perdoou aos soviéticos. Parece que esse feito irá ser repetido em breve, espero que desta vez de forma definitiva, e pelas mãos russas.

É convicção minha, e por diversas vezes já a referi, que a maior inutilidade que hoje assola a sociedade ocidental é discutir política, independentemente da mesma, desde que seja nos actuais moldes, quando um corpo cancerígeno no seu todo se maquilha, só significa que vai morrer bonito, a maquilhagem não o cura, o mesmo se passa no ocidente, moribundo, mas bem maquilhado. Tornamo-nos peritos na fuga da responsabilidade, do dever e da ética, os valores morais que usamos como bandeira, são o egoísmo, a ignorância e a leviandade.

Na realidade, não existem políticas no ocidente, mas sim um conjunto de ideias falhadas, que se repetem até à exaustão, na esperança que, as medidas repetidas milhares de vezes, produzam resultados diferentes. Um raciocínio circular que, é próprio de pacientes de qualquer ala psiquiátrica, no entanto, teimosamente o resultado não muda.

O fim da hegemonia no mundo está a mais de meio-termo já, mas não significa isso, que a hegemonia desapareça, ou que o império anglo-saxão se extinga, não, nada disso no curto ou médio prazo, o ocidente é o seu mais dedicado aluno, e tal como qualquer viciado em estupefacientes faz, luta todos os dias por mais uma dose, é esta a sociedade ocidental, o pilar do crime, da devastação, do caos e da cleptocracia tirânica.

Josep Borrel, um atrasado mental que apoia regimes criminosos, considera a Europa um jardim, o Paraíso também o era, no entanto, Adão e Eva encarregaram-se de o destruir.

Falaremos sobre este jardim em 2030…

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As asas da singularidade

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