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Sair da cama

Temos dias em que acordamos sem ter vontade de sair da cama, em que trabalhamos sem gostar do que fazemos e sorrimos sem vontade. Fingimos uma vida que não temos, uma alegria que não nos cabe e continuamos a empurrar com a barriga. Como viver sem nos conformarmos com o que temos? Como conseguir lutar pelo que queremos alcançar?

Se o jogo da vida não nos interessa, estamos mal, há tanta coisa para viver melhor. Não sou a melhor pessoa para imaginar este cenário, lamento, mas não sou só mais uma pessoa normal.

Tenho uma deficiência obtida há 18 anos, não posso andar sem ser com cadeira de rodas e não falo corretamente, percetível: as vogais são ditas com uma clareza assombrosa e vou melhorando com truques alfabéticos.

Tenho como lei: se a vida fosse fácil não tinha piada nenhuma!

Acho que se a vida não é aproveitada, é porque não estamos à altura de enfrentar o desafio: é preciso estar atento para as perspetivas diferentes que a vida tem para nós.

Não é verdade: há vidas mais complicadas/difíceis e nem sempre é óbvio conseguir sorrir à vida mesmo que seja quase uma responsabilidade do ser humano e do existir cuidarmos dela o melhor que soubermos…

Um dia está a chover, podemos dançar no caminho, apanhar chuva pode ser muito divertido para depois beber chá quentinho em frente à lareira.

Mas isto é um exemplo banal e para o qual a fome e/ou guerra não tem comparação; ter cama é bastante bom, é melhor que o pior.

Fingimos uma vida que não temos, uma alegria que não nos cabe.

Fingir não me parece errado. Se fingirmos tão bem que possamos atuar a vida toda, ser ator é uma forma muito verdadeira de atravessarmos a vida. Fingir bem é complicado, se fosse fácil não tinha piada nenhuma.

Esta visão negra deve ser combatida para a vida, em geral, correr melhor. Por vezes, não dizer nada e ficar calado, a aceitar, é, por vezes, o mais correto. Esbranquiçá-la.

É um erro pensar que este dia pode ser normal nesta vida, a única de que usufruímos. Se isso for a regra, mais vale a pena mudarmos de vida.

Alterarmos, comprarmos novas rodas e mudarmos de signo, nome, data de anos. Criarmos um novo Eu, andamos a vida toda a tentar enriquecer-nos, melhorarmo-nos.

Nunca acontece o descrito desde o levantar da cama ao voltar a deitar nela.

Era assumir uma estar derrotado antes do jogo começar.

Não há dias assim, nem em que corra tudo bem, seria monótono.

Há sempre coisas a celebrar diariamente, surpreendentes,

Convém estarmos atentos para as pequenas celebrações que podemos usufruir com ela.

Um passo bem-dado ou uma palavra bem-dita e/ou escrita podem ser milagrosas.

O corpo humano e saudável é milagroso.

A vida, raramente, ou NUNCA, é boa ou má o tempo todo,

Desde pequenos andamos a aprender, a ser melhores

E temos liberdade sobre nós para conduzirmos a nossa vida.

Para onde for mais agradável e preferível.

Nunca como atualmente houve tanta coisa diferente para escolher o que se ou fazer na vida. E a esperança média de vida foi tão longa.

A vida é um privilégio e não um direito.

(in hotel Marigold)
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Comments 1
  1. Zé Maria li mesmo agora a tua crónica “Sair da cama” gostei muito, deu me força para o dia

    Um bom domingo Zé Maria!

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