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Gastronomia

Gastronomia, sobrevivência, evolução e recordação

Verdade que a gastronomia já existia antes de assim ser chamada e o ato de se alimentar é a primeira e constante necessidade que sempre estará presente a todos nós. Falando de comida é certo que a cozinha é o lugar das transformações, ela revela várias surpresas e estudar suas origens deixa tudo sempre mais prazeroso. Mas você pode perguntar: O que é gastronomia?

A origem da palavra vem do grego gaster (estômago, ventre) e nomo (lei). Literalmente “as leis do estômago”. Termo criado pelo poeta e viajante grego Arquestratus, no século IV a.C.

O próprio criador do termo, relata-se, amante da boa mesa, percorreu vários territórios provando as especialidades das cozinhas locais.

Contudo, bem antes disso é de conhecimento a habilidade das pessoas em criar produções alimentares e importantes métodos de conservação, muitas técnicas utilizadas atualmente para tornar a gastronomia moderna e refinada, já eram colocadas em prática para preservação, por exemplo a fermentação e os processos de cura dos alimentos, muito antes de outro termo, Charcutaria, o ato de conservar carnes era praticada por vários povos.

Fato que em vários Países tem crescido o retorno a essas práticas. Aqui no Brasil, que tem grande diversidade de região para região, parece estar redescobrindo conceitos e técnicas utilizadas por seus “descobridores”. Nossa culinária em constante evolução, foi a junção das cozinhas de Europeus, Africanos e Índios, esses últimos legítimos donos do território.

Se levarmos em conta as duas maiores Cidades, São Paulo e Rio de Janeiro, tal influência europeia se dá até hoje, italianos e portugueses respectivamente.

A cozinha brasileira, penso, ainda está em transformação e novidades chegam a todo momento. Uma das ondas recentes são os Pitmasters.

Eu, de olho no futuro, pés no presente e respeito as tradições, sou praticante de Charcutaria Artesanal há mais de 15 anos, vejo essa onda crescente, não temos o mesmo clima de países como Itália, Portugal e Espanha, mas através de equipamentos conseguimos simular temperatura e umidade para a produção de salames, presuntos e diversos embutidos, não estou aqui falando da nossa indústria que utilizando produtos químicos, corantes e aditivos tem uma vasta linha de produtos. Algo que era praticado para sobrevivência hoje é feito, muitas vezes, como hobbies.

Com isso é natural o retorno as raízes e nada é mais aconchegante a qualquer ser humano as memórias afetivas, a cozinha me parece ser a que melhor evidencia isso. Vejo muitos Chefs relatando seus momentos de infância, onde, nas cozinhas viam suas avós cozinharam e dali vieram muitas de suas inspirações. Também passei por isso, mas ao contrário, minha avó era um doce, linda e amável, mas… cozinha não era seu forte, diferente de minha mãe, ela realmente não tinha aptidão para as panelas, mas tinham duas coisas que ela fazia que eram maravilhosas, um requeijão bem típico do sul da Bahia, Estado do Nordeste brasileiro.

O leite de vaca é cozido na manteiga até atingir sua textura e coloração, a outra era um biscoito de polvilho, muito simples, adiciona-se água morna, óleo, sal, açúcar e ovos, fantástico, há muito tempo que não via ninguém da família fazer, com essa pandemia e o fato de todos (nem todos) estarem em suas casas, muitas receitas foram resgatadas, uma delas foi esse biscoito, aliás, um dado bem interessante por aqui, o pão caseiro se tornou um símbolo desse momento, um dos assuntos mais procurados no Google, todos querem um pão para chamar de seu. Restaurantes fechados, cada um explorando sua cozinha, as produções caseiras aumentaram em muito, receitas tem aos montes, até em música. Quer aprender uma? Procura aí, “Vatapá” com a excelente Gal Costa.

E você tem alguma receita de família ou um prato que te remeta a lembranças marcantes? Conta para nós.

Minha vovó não está mais nesse plano, mas sua presença continua marcante, principalmente na hora do biscoito de polvilho, acompanhado de um cafezinho então… quanta saudade.

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Português do Brasil

Guto Lopes

Brasileiro, movido por desafios e pelo forte sentimento de indignação, sempre com olhar no futuro. Apaixonado por gastronomia, escrita e leitura.

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