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Existem livros bons e livros maus?

A resposta a essa pergunta é subjetiva e depende do ponto de vista de cada leitor. O que pode ser considerado um livro excelente para uma pessoa, pode não ser para outra. Os gostos literários variam enormemente e a qualidade de um livro pode ser avaliada por diversos fatores como a originalidade da trama, o desenvolvimento das personagens, o estilo de escrita e o impacto emocional que causa no leitor.

Além disso, aquilo que funciona bem num determinado país com a sua cultura e hábitos pode não ser interessante, de ler, para outra pessoa, em outro continente.

Todos nós temos os nossos gostos, baseados no legado dos nossos pais, do nosso país, educadores, amigos e vivências pessoais. Nas viagens que fizemos ou não, daquilo que assistimos, ouvimos, etc.

É como com a música, dança, pintura e as suas diferentes ‘nuances’.

Como em qualquer arte, a escrita vai depender muito de quem a lê, interpreta.

Por exemplo, existem pessoas que adoram descrições pormenorizadas, com detalhes minuciosos, repetições, e outras, como eu, que não têm muita paciência para informações intermináveis sobre tudo e mais alguma coisa. Gosto que a minha imaginação tenha, também, um papel e leve-me onde o escritor quer, mas permita que algumas coisas fiquem ao meu critério. Esse é um dos encantos dos livros e a grande diferença entre ler uma história ou vê-la numa tela de cinema, ou série de televisão.

Assim como na música, eu gosto de diferentes géneros literários e tenho as minhas preferências, como toda a gente. No entanto, mesmo num tipo que não é o de eleição, existem pontos fundamentais a ter em conta para conseguir continuar a ler ou não um livro.

A comunicação tem de ser eficiente, coerente, sem erros (claro!) e prender-me. Tem de deixar algo por revelar e ir se desenrolando em crescendo, sem denunciar logo a trama ou o final.

Existem livros considerados best-seller e até prémios Nobel, louvados por vários críticos literários, que já li e não achei nada de extraordinário. Outros, menos “famosos” cujo enredo, construção da história e personagens fizeram-me querer chegar a casa o quanto antes para o agarrar.

Já li alguns livros cuja história não era espetacular, mas a forma inteligente e cativante como estavam escritos fizeram-me continuar. Alguns parece um sacrifício, como um comprimido que parece que temos de tomar, mas não nos apetece.

Neste momento, com tantos livros que há, que tenho, e que quero ler, não luto comigo própria para ir até ao fim. Apesar de ser uma pessoa que gosta de terminar aquilo que começa, cada vez obrigo-me menos (ou nada) a fazer coisas que me devem proporcionar prazer e não o estão a fazer.

Os livros são, para mim, um prazer, uma viagem, uma paixão, uma família, uma inspiração, um escape, um acolhimento que me proporciona bem-estar e deleite.

A escolha de um livro muitas vezes reflete o nosso estado de espírito ou aquilo que estamos a procurar naquele momento específico. Há dias em que queremos uma leitura leve e engraçada que nos faça esquecer as preocupações do dia a dia. Em outros momentos, procuramos algo mais profundo, que nos faça refletir sobre a vida, as relações humanas e até sobre nós mesmos.

Os livros têm esse poder transformador de nos transportar para outros mundos, de nos colocar na pele de outras pessoas, de nos fazer viver múltiplas vidas. É esse o encanto da leitura, a possibilidade de experimentar o desconhecido, de aprender e de crescer com cada página virada.

Por isso, acredito que, mais do que a escolha de um género ou de um autor específico, o importante é encontrar aquela história que nos cativa e nos faz querer continuar a ler. Aquele livro que, mesmo após o terminarmos, permanece connosco, nas nossas memórias e no nosso coração. É essa a verdadeira magia da literatura.

Sejam considerados bons ou maus, o que importa é ler!

Nota: Artigo escrito com o Novo Acordo Ortográfico

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