Ciências e TecnologiaTecnologia

(des)ligados mas felizes!!

Vamos fazer uma viagem no tempo e recuar 20 anos até à nossa adolescência.

Lembram-se dos papelinhos dobrados por baixo das secretárias? Do recadinho para aquela amiga especial colocado dentro do estojo aberto no intervalo? Lembram-se de ter cuidado para ter sempre trocos para o telefone da portaria da escola, caso perdêssemos o autocarro? E saber o código para chamadas a pagar no destino?

Lembram-se de esperar pela hora da novela para ligar à amiga pelo telefone fixo…

Parece que foi há uma eternidade. Hoje a vida está, neste campo, facilitada aos nossos miúdos. Quando querem mandar um recado, sai um SMS, uma mensagem pelo Facebook, uma conversa no whatsapp. O assunto é mais ou menos público e sai um twit. A comunicação entre jovens (e adultos em geral) está sem dúvida facilitada pelo smartphone que (quase) todos os miúdos trazem no bolso.

Sem dúvida que é um instrumento extremamente útil, que veio descansar muitos corações de mãe no que toca ao paradeiro dos miúdos e ao “não venhas tarde, trás pão”. O smartphone, aliado às redes sociais, veio em grande parte promover o estreitamento de ligações pessoais. Ou, por outro lado, o afastamento de quem directamente nos rodeia.

E, como se não bastassem já otites, laringites, faringites, dores de barriga e apendicite agora ainda temos de nos preocupar com a nomofobia. Parece irreal mas já existe uma “doença” associada ao uso do smartphone. Falamos do medo de ficar “sem” ele.

Claro que, como tantas outras fobias a nomofobia é irracional, nasce pois da expressão inglesa “no-mobile-phone phobia” e representa o medo de, por alguma razão, nos vermos privados temporariamente do uso do telemóvel, sendo bem mais frequente do que aquilo que possamos pensar: todos conhecemos alguém que, literalmente, não larga o telemóvel nem por um minuto e fica extremamente angustiado se por acaso se esqueceu dele em casa ou ficou sem bateria ou mesmo rede, uma angústia comparável ao medo do dentista ou ao nervoso miudinho antes de um exame.

A justificação para esta atitude é, na maioria dos casos, o medo de ficar isolado. Um isolamento do mundo virtual, mas talvez uma aproximação ao mundo real.

Das inúmeras mais valias das novas tecnologias, temos vindo a destacar a aproximação e facilidade de comunicação entre indivíduos, no entanto, quando falamos em smartphones e adolescentes, a imagem mental que fazemos é aquela da uma mesa com dez miúdos, na qual 8 olham para o ecrã, 1 ouve música com os phones e o outro almoça literalmente sozinho. Ou seja, o smartphone acabou de afastar 10 amigos que, provavelmente, estão no Instagram a fazer likes mútuos ao prato do colega do lado mas não são capazes de pedir para provar.

Sejamos então sinceros: o smartphone é o equivalente dos dias de hoje àquelas sapatilhas da moda no “nosso tempo” que trabalhámos um verão inteiro para comprar e nos ajudaram a finalmente pôr conversa com as/os miúdas/os populares. Por muito que nos custe aceitar, os nossos adolescentes procuram aceitação e por muito que incentivemos a singularidade de cada um, estes quererão sempre ser parte da tribo. Trocando por miúdos, todos querem ter um smartphone, depois o smartphone de cada um até pode refletir o utilizador: as App instaladas, a capa escolhida, o fundo do ecrã… parte da tribo mas cada um com o seu papel.

Afinal, qual a solução milagrosa para a harmonia? Equilíbrio. Por exemplo: banir o telemóvel da hora da refeição, estipular uma hora para o desligar ao final do dia. Deixá-lo noutra divisão que não o quarto durante a noite (ainda existem despertadores daqueles com snooze sabiam?) são algumas dicas para desintoxicar o vírus e promover o tal equilíbrio.

Deixo o desafio não só aos jovens, mas a todos, uma espécie de jogo do sisudo, o primeiro a olhar perde. Quanto tempo serás capaz de aguentar?

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Andreia Mendes

Natural de Caldas da Rainha, 35 anos. Licenciada em Educação Social. Mulher, Mãe de dois. Com paixão pelas pessoas, pelas palavras, pelas acções, pelo teatro, pela música e claro pela escrita! Incapaz de compreender algumas injustiças por esse mundo fora, por esse tempo adentro.

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