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Voar de balão: uma experiência única

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São 06:10 h da manhã. Os passageiros juntam-se no ponto de encontro indicado pela organização, num descampado onde o balão está a ser preparado para aquela que promete ser uma experiência de sonho.

Estendido no chão, o impressionante balão colorido vai ganhando forma através da projecção de ar que é feita por uma grande ventoinha. Lentamente, vai-se erguendo com a ajuda do maçarico gigante que projecta chamas para o seu interior. O enorme cesto deitado de lado também se levanta. Após o briefing de segurança, a apresentação do piloto e dos passageiros e as breves instruções de voo, somos convidados a entrar no balão. Cada um tem o seu espaço dentro do cesto. O Rafa, o nosso piloto, faz um segundo briefing de segurança e, numa conversa descontraída, o balão descola como se estivéssemos a levitar. Entre o sono e o sonho, somos dominados pela leveza.

São 06:30 h. O vento corre de feição e, graciosamente, vamos ganhando altura. Um clarão pinta de cores quentes tudo em nosso redor. Monsaraz assiste lá de baixo ao olhar encantado de quem parece estar a ver o mundo pela primeira vez e a dar-lhe uma nova definição. A neblina da madrugada, amarelada e silenciosa anuncia o nascer do Sol. Eis que ele surge, discreto, num encontro perfeito com o perfeito. Assiste-se ao milagre. A paz é total. Somos conduzidos ao nosso lugar sagrado, aquele que nos faz sentir tudo e nada e onde o tudo e o nada se fundem numa conexão plena. A vida a acontecer. Ver acontecer. Na luz e na sombra.

Ao sabor do vento, a 10 km por hora, a tranquilidade é total e as paisagens desfilam a nossos pés, estendendo-se a perder de vista numa contemplação magnífica. Ouve-se o cantar dos galos. Observa-se o desfilar das copas das oliveiras e dos sobreiros e os retalhos dos campos de tons quentes, de onde vão surgindo, aqui e ali, cavalos, ovelhas, cães, lebres e avestruzes, numa visão 360º. A natureza a brotar com o que tem de belo, assim como a emoção do momento. É impossível descrever a beleza de todo o cenário envolvente. Parece saído de um postal. Pareço fazer parte de um postal. A luz, as cores, a noção do espaço… tudo é encantador e absolutamente bonito.

Olhamos para baixo e avistamos um camponês que nos acena. O Rafa, o nosso simpático balonista-piloto, faz descer o balão para que nos aproximemos do senhor e o cumprimentemos. Diz-nos que já está ali desde a 07:00 h à espera do electricista que vem arranjar o sistema de rega dos campos. Deseja-nos boa viagem e voltamos a subir aos céus até 500 metros de altura, onde admiramos as muralhas e ruas de xisto da vila medieval de Monsaraz e o seu castelo. Avistamos menires deixados pelos nossos antepassados pré-históricos. A norte, a paisagem é marcada pelo verde. A sul, funde-se com o sol, as searas douradas e a sombra dos sobreiros e das oliveiras. Admiramos o Alqueva, as casas caiadas daquele lugar apaixonante. Nem os potentes queimadores de gás que mantêm o balão no ar calam o silêncio. Ali, perante a grandiosidade do que testemunhamos, realinhamo-nos naquilo que é a nossa verdadeira dimensão. A inteligência superior da natureza, com todo o seu esplendor, diz-nos que nada somos isoladamente, ao contrário da natureza que não precisa de nós para ser, porque nasce e vive de si. De preferência longe da mão humana.

São 08:10 h. Já passou uma hora e meia de eternidade. É hora de regressar à terra. Lá em baixo, a equipa que segue o balão com comunicação via rádio e localizadores GPS, está à nossa espera. Aos poucos, vamos descendo. Sem pressa, despedimo-nos do imenso céu que tocámos. Pomos em prática as instruções de aterragem e o balão vai poisando, como que nos mostrando que é preciso pôr os pés assentes em terra para o que verdadeiramente importa.

São 08:30 h. Saído do cesto, o grupo junta-se à equipa para a ajudar a esvaziar o balão, dobrando o enorme envelope colorido e colocando-o no atrelado. O Rafa distribui copos pelo grupo, deixa-nos umas palavras de gratidão e pede-nos que levemos a boa energia absorvida naqueles ares e a espalhemos por onde passarmos. Abrimos a garrafa de champanhe e brindamos à vida, numa tradição que é praticada em todos os voos de balão desde o primeiro que aconteceu no mundo.

Somos transportados para o ponto de encontro e regressamos à normalidade, com esta experiência arrebatadora na bagagem.

A vida é bela, se não discutirmos muito com ela. E deve ser vivida com leveza e cor, como o balão que nos levou ao alto daquele inigualável azul, o mesmo céu que à noite é revestido por um imenso manto de estrelas de perder o fôlego.

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Manuela Gonçalves Pereira
Madeirense. É licenciada em Comunicação Social, tendo enveredado pela comunicação organizacional, área em que exerce a sua actividade profissional. Inspira-se em tudo o que a vida oferece para escrever e fotografar, encarando o sentido de humor como uma forma de desconstruir preconceitos. Lema de vida: em tudo há sempre uma oportunidade...

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