Dependência amorosa e a destruição humana causada por uma obsessão.

É este o mote do filme “Amor Impossível” do realizador português António Pedro-Vasconcelos e do argumentista Tiago Santos.

Ao longo das duas horas e meia de filme, somos acompanhados por uma narrativa que parece um poema, por todas as falas terem uma profundidade avassaladora e serem melodicamente bonitas. O filme é preenchido por duas histórias de amor que se cruzam por possuírem reações tão semelhantes.

Cristina é uma jovem apaixonada por Tiago, sente que este é o seu único motivo de força para viver, após a morte do pai. Os inspetores Madalena e Marco surgem, devido ao à morte da jovem. Madalena prende-se ao diário de Cristina em que fala sobre a morte do pai, o seu dia-a-dia, e a luta diária para ter um amor como idealiza depois de ler vários livros. Um deles apresentado num trabalho na faculdade em que o descreve como “história brutal de um amor contrariado e dos efeitos destrutivos do orgulho, do ciúme e da vingança”, em que inconscientemente descreve todo o filme.

O amor vivido pelos inspetores pode ser resumido num pequeno excerto do filme quando Madalena o confronta dizendo que quer saber ‘o porquê’ e Marco diz que não vivemos num mundo perfeito, porque se fosse perfeito iríamos sorrir a todos mostrando a bondade que existe no fundo dos nossos corações, e às vezes, prefere fingir que vive neste mundo perfeito e que para ele quanto menos souber, mais felicidade terá.

Este filme retrata a obsessão que as pessoas têm em viver ao lado de alguém, de quererem constantemente mais e chegando a um momento da vida em que tudo depende da “cara metade”, em que vivem num conto de fadas vivendo “confortavelmente infelizes. Questionando-se que o amor não é isto, não é a indiferença, não é sofrer, não é desviar o olhar quando o outro quer atenção, não é querer que o outro seja mais feliz, nem o egoísmo. “O amor não é nada disto.”

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