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Carta de despedimento

“Exms. Senhores, venho por este meio, comunicar-vos que denuncio o contrato de trabalho que me liga a esta empresa.”

Esta é possivelmente a carta que a maior parte de nós já terá escrito, pelo menos, uma vez na vida. Prima por um tom neutro, sem grande emoção (expressa) e o conteúdo é sempre igual. Várias poderão ser as razões que nos levam a sair de uma situação profissional, mais que não seja, por ter surgido outra oferta mais interessante, quer a nível monetário, quer em termos de funções. Decidimos, então, “abraçar um novo desafio”, como descrevemos elegantemente no e-mail de despedida aos colegas, e seguimos para a próxima empresa.

Assim, seguia eu há dias no meu carro para o trabalho e, como muitas vezes, os meus pensamentos já me tinham levado para um destino bem diferente. “Despedir” e “empresa”, duas palavras que nos evocam a ideia de sair de um contexto laboral. Reflecti brevemente sobre ambas, fixando-me especificamente nos seguintes significados:

  • Despedir, ou despedir-se: dispensar, retirar-se, afastar ou afastar-se
  • Empresa: num sentido lato, execução de um projecto

E, logo de seguida, os meus sentidos ficaram em alerta com o que me pareceu uma epifania. De todas as empresas para as quais trabalhei até à data, a minha própria empresa é talvez aquela da qual tenho menos consciência. Aliás, nunca até ao presente momento a tinha encarado como empresa: a minha vida! De repente, tudo ganhou um novo sentido. Se tenho uma empresa, não deveria geri-la de uma forma mais activa e, sobretudo, consciente? No meio corporativo, as empresas têm missões e objectivos definidos, preto no branco. Que raio andamos a fazer com a nossa vida? Quantas vezes não andamos apenas ao sabor do vento? Seguimos conforme as oportunidades que surgem. Proactividade? Uma palavra que conhecemos, quanto muito, dentro do contexto dos nossos empregos. Concluímos toda a nossa formatação académica orientados para, no fim da mesma, procurar um emprego onde alguém nos dirá o que devemos fazer para eles.

“Se não arriscas, trabalharás sempre para alguém que assume riscos”, expressão inglesa apropriada ao seguimento deste raciocínio. Mais do que assumir riscos, trata-se de resgatar o controlo sobre a própria vida. Assumir em primeiro a responsabilidade das nossas escolhas em vez de nos remetermos para um papel passivo, que nos impossibilita a criação de algo à nossa medida. Semelhante à alegoria das cavernas, é a descoberta de uma nova realidade. Há todo um processo mental que se inicia com essa tomada de consciência. Há dilemas, dúvidas, inseguranças, avanços e retrocessos, mas também há crescimento e desenvolvimento. Há uma metamorfose lenta da qual só ganhamos consciência depois de algum tempo. Há um tempo durante o qual dois mundos estão em oposição e colidem, saber navegar por entre essas tempestades sem perder o rumo, requer uma forte convicção e clareza daquilo que se quer.

A dificuldade reside muitas vezes em descobrir aquilo que se quer fazer sem se deixar desmoralizar com o clássico (mas nefasto) “sê realista”. Ser realista é o assassino dos sonhos! Sonhar apenas com o que é possível, não teria permitido a realização de tantas descobertas e feitos. Em termos motivacionais, existem dois passos fundamentais: visualização e ação. Quem cria imagens mentais daquilo que quer alcançar, tem uma probabilidade maior de alcançar o que almeja – facto cientificamente provado no estudo de atletas de alta competição. Portanto, é fundamental não apenas o que idealizamos assim como aquilo que fazemos e a energia que pomos nas nossas ações. Aqui entra o “milagre” da PNL – programação neurolinguística. Se nunca ouviu falar sobre este tema, será bem interessante pesquisar. Descobrirá o impacto do nosso diálogo interno e do quanto somos permeáveis ao discurso de outros. Esta programação inicia-se na mais tenra idade e com frequência (quase sempre), já na idade adulta, carregamos crenças limitadoras que potencialmente nos levam à auto-sabotagem.

Esta é uma viagem que será longa, mas não valerá a pena viver a aventura que pode ser a vida? E onde entra o despedir-se nesta reflexão? Bem, tenho de me despedir de tudo o que tenho carregado comigo só porque sim, afastar da minha empresa aquilo que a tem travado. Por ora, cheguei ao estacionamento sem dar por isso e tenho de me despedir de quem me lê. Vemo-nos no mar alto?

Lucie Marinho

Eu não sou ninguém, apenas aquilo que tenho de ser para mim própria, e assim, poder ser para os outros. Não acumulo feitos nem glórias, sou somente o cumulativo das minhas escolhas ou a falta delas! E neste percurso, apercebi-me que procuro o brilho de um pensamento claro, perdido no caos da ilusão. Apenas essa consciência, torna-me feliz: encontrei o meu caminho!

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