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Ai que dor, Sr. Doutor

Dr. Google doí-me…

É assim que começa o nosso monólogo com o Dr. Google, a nossa assistência médica 24 horas por dia e sete dias por semana, e em qualquer lugar (desde que estejamos on).

Tenhamos possibilidade de usufruir do SNS (e de um serviço SNS 24 horas) ou tenhamos seguro de saúde, quando sentimos algo estranho, anormal, ou quando abrimos o resultado de exames médicos sem um médico presente, após estarmos com um médico, ou quando procuramos uma segunda opinião porque não entendemos nada do que o médico anterior nos disse, o Dr. Google é o nosso primeiro recurso.

Numa pesquisa rápida na barra do Dr. Google, aparecem-nos como tópicos mais pesquisados:

  1. dor no lado direito da barriga
  2. dor na planta do pé
  3. dor de garganta
  4. dor a urinar
  5. dor de cabelo
  6. dor do testículo

O Dr. Google, como não nos confronta olhos nos olhos (alguns médicos também não) deixa-nos mais à vontade para exprimirmos com mais honestidade os sintomas que temos e nos levam a procura-lo. Imagino que seja desconfortável um homem descrever a um médico/a o sintoma número 6. Já o Dr. Google dá-nos o conforto (falso) da invisibilidade (mas fica tudo guardado no IP, OK).

Contudo, mais que o conforto do processo de consulta, e a não perda de tempo com idas ao médico, o Dr. Google dá-nos sempre respostas e rápidas, sem esperas de marcação:

  • Traduzindo os termos técnicos
  • Dando um nome ao sintoma que temos, e descansar-nos de que não é nada grave (mas que pode não ser o que realmente se adequa à situação)
  • Dando um nome ao sintoma que temos, e assustar-nos de que é algo grave (mas que pode não ser).

De todas as vezes que consultei o Dr. Google, a informação que obtive não foi clara, nem objetiva, nem concreta. Se alguns médicos não me deram a resposta que eu procurava o Dr.º Google também não. Precisei de procurar uma terceira opinião física. De vez em quando, lá tenho sorte de encontrar médicos que me explicam os borrões que aparecem nos exames e fazem esquemas para explicar como funciona a parte mecânica e física do nosso corpo.

Para quem recorre ao Dr. Google, não se esqueçam:

  • As informações transmitidas não substituem uma consulta médica;
  • Uma consulta implica, que sejamos vistos, ouvidos e feitos exames e monitorização em relação a resultados anteriores. Somos uma máquina, temos um histórico que devemos acumular.
  • Não se auto-mediquem com base no que leram, nem com base em sugestões dadas na farmácia. A toma de medicamentos desadequados pode ocultar outros sintomas que são relevantes para a determinação concreta e atempada do problema e respetiva medicação.
  • Não assumam os sintomas associados a determinado problema como vossos; sejam honestos convosco próprios e ouçam o vosso corpo. Normalmente ele demonstra os sintomas, nós é que estamos demasiados ocupados para o ouvir.

O Dr. Google é um aliado na pesquisa de informação, mas como a maior parte dos portugueses, o título de Doutor por que o tratamos é só um título de simpatia, não implica sabedoria e sapiência, nem capacidade de saber quem somos ou o que temos, embora nunca esqueça nenhuma das informações que lhe damos.

O nosso corpo é o bem mais precioso que temos.

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