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A urgência do desapego

Nós somos o que já vivemos. As aprendizagens que acumulámos, toda a nossa vivência passada, toda a nossa história faz de nós o que somos no presente. É inegável, mas não devemos ficar presos ao passado, como que reféns do que um dia nos fez sofrer ou do que desejámos.

Evoluir é aprender com os erros e tentar alcançar o que desejámos, mas também é viver no presente, conscientes que o que passou ficou lá atrás e que não nos deve assombrar para sempre.

Ninguém é o que foi no passado, é uma consequência disso, uma construção constante. Somos uma permanente mutação e temos a capacidade de nos moldarmos de acordo com os novos desafios e com a nossa própria vontade.

Atualmente, ouvimos falar na necessidade de aprender o desapego para conseguirmos alcançar um nível superior de evolução, no entanto, muitos de nós não conseguimos perceber que esse desapego não é só no plano material e sim um desapego completo aos traumas do passado e à ansiedade que nos provoca o desconhecimento do futuro.

Não é fácil. A nível nenhum. E, por isso, a nossa evolução, enquanto sociedade, também não é nada de que nos possamos orgulhar: materialmente, sabemos que não é fácil o desapego, havendo uma constante mentalização coletiva ao consumismo e às “necessidades” criadas pelo rapidíssimo avanço tecnológico. Acabamos por ter um comportamento quase hipnótico e corremos atrás do último grito da moda, sem qualquer consciência sobre as reais e prementes necessidades.

Emocionalmente, vivemos, quase todos, agarrados a um passado que nos condiciona e nos agride constantemente, levando muita gente a experimentar estados depressivos e a outras desordens do foro psicológico. Cada vez é mais comum as pessoas viverem presas a dores passadas, das quais não se conseguiram desapegar, numa atitude de autoflagelação quase obrigatória. Poucos são os que investem na cura espiritual, que lhes possa permitir avançar sem os bloqueios de um passado que, muitas vezes, nem é assim tão relevante.

A juntar a tudo isto, temos uma constante preocupação por um futuro a que não sabemos sequer se sobreviveremos e andamos sempre ansiosos, optando por sofrer por antecipação uma série de cenários imaginados.

Com esta falta de desapego ao que já passou e ao que ainda não aconteceu, acabamos por desperdiçar o momento atual, ou seja, o presente.

E o presente é realmente a única coisa a que não nos devíamos desapegar e da qual estamos cada vez mais distantes.

O presente acaba por nos escapar rapidamente, sem o proveito e sem nos permitir o sentimento de realização.

Valerá  a pena esta maneira de estar na vida? Sempre agarrados a um passado e sugados por um futuro, sem nos empenharmos no momento atual, criando e evoluindo serenamente, uma vida livre de amarras, medos e bloqueios? Não valerá mais a pena investirmos no desapego ao que nos faz mal, desenvolvendo em nós uma resistência ao negativo desta vida que nos é oferecido pelo passado e pelo futuro?

Não deveríamos lutar pela liberdade de viver uma paz de espírito e tentar viver o máximo de momentos de harmonia e felicidade?

Ana Marta

Uma alma estranhamente comum que divaga pelos assuntos do quotidiano, aliando gosto pela escrita à mania de "dizer coisas".

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