A política ocupa um lugar central no mundo. Não, apenas, na sociedade dita “ocidental”, mas em toda a extensão global. Por maior que seja o desinteresse que ouvimos em reportagens na rua, em conversas de cafés ou transportes públicos, são decisões políticas que definem o rumo económico de um país ou região, orientam as demandas sociais, iniciam ou terminam guerras, e contribuem, de uma ou outra forma, para a resolução ou agravamento das alterações climáticas.
Não é raro passar por notícias ou reportagens acerca de mais um mês com recorde de temperatura, seja ao nível global, regional ou local. Também não é difícil lembrar ondas de calor fora de tempo, assim como chuvas torrenciais limitadas no tempo e numa zona específica, mas sem previsibilidade alguma ou histórico de tal. Este é um dos exemplos mais recentes do exposto nestas poucas linhas.
A humanidade, por si só, tem as ferramentas necessárias para evoluir e desbravar o futuro. Estamos, porém, perto de momentos difíceis, talvez irreversíveis, criados pela sociedade pós-revolução industrial. Será que o interesse global pode estar associado ao bem comum, no que diz respeito às alterações ambientais e à sobrevivência do planeta? Honestamente, e longe de ser um pessimista, não creio. Utilizando o nosso país como exemplo, sabemos que Portugal esgotou os recursos naturais necessários para a população no início deste mês de Maio; no momento em que escrevo, já estamos a consumir recursos naturais reservados para 2026.
Nos últimos anos, esta data simbólica é assinalada, e não celebrada, cada vez mais cedo, o que significa que todas as reuniões, comités, grupos de trabalho ou grandes conferências ambientais pouco, ou nada, valem no quotidiano dos portugueses. Realço a observação acima: não me considero, de longe, um pessimista. Não sei se será na minha (nossa?) geração que o caminho se tornará irreversível. Contudo, observo que será muito difícil alterar a mentalidade de uma sociedade por completo.
Mais do que cumprir a meta X ou objetivo Y, é imprescindível trabalhar na nossa postura enquanto sociedade. Podemos fazer a diferença — para agravar ou resolver a situação. Cabe a cada um de nós, sejamos meros eleitores ou cidadãos eleitos para cargos governativos, desbravar o duro caminho da mudança de mentalidade e de compromisso para com a nossa casa (e causa) global.
Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Antigo Acordo Ortográfico