Efemeridade do idealizado

Vivemos apressados nesta efémera vida. Estipulados por deadlines, horários marcados, e objetivos traçados. Nada pode falhar.

Ambicionamos viver uma vida feliz, em busca de o amor perfeito, trabalho ideal, casa de sonho, e amigos e família de cinema, queremos viajar pelo mundo fora quando não passeamos pelos trilhos da nossa cidade. Cada vez há menos compassos de espera para ver o pôr-do-sol, ler os créditos de um filme e ouvir o solo final de uma bateria. Só queremos saber o momento seguinte.

Queremos fazer tudo e acabamos por fazer nada. Não estamos num local a 100% e apenas pensamos a longo-prazo e do quão bom será, quando cada fase acabar. Seguindo-se, da típica melancolia e saudade que nos é tão característica. Por isso, andamos escondidos nos nossos ecrãs, publicando fotos nas redes sociais para mostrar que fomos, somos, ou éramos felizes.

Com este mundo, ganhamos a capacidade de não olhar para o lado. Não ver quem vem no comboio. Ou, quem está perdido na nossa cidade. Não ler mais do que a capa de um jornal. Ou, de ouvir um álbum inteiro.

Agora é tudo mais rápido, incluindo perdermo-nos e vivermos sozinhos.

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