O mediatismo e a estupidez

Ser conhecido e mediático é, neste momento, o objectivo de grande número de jovens. E fazem qualquer coisa para o conseguir. Não importa o quê. Não medem as consequências, o que prova o grau de inconsciência e de irresponsabilidade de que são detentores. Ser falado é que é bom e o resto não importa. Para completar esta mentalidade, os reality shows dão o mote. De um anónimo passa-se a conhecido, num instante. Não interessa que perca a privacidade, porque, pelos vistos não sabem o que é, e que sejam falados em todo o lado, é isso que querem. Um momento que muda a vida. Contudo, nem todos conseguem ser protagonistas nestes jogos televisivos e, então, servem-se de outras técnicas, também elas com a mesma função leviana.

Esta semana tornou-se conhecido um caso de um rapaz, totalmente cretino e despropositado, que fez um video e o colocou na internet. Tornou-se viral, porque ameaçava atirar um cachorro de uma janela. Eu tinha dito a mim mesma que não referiria o assunto, mas não consigo. É-me de todo impossível. Que satisfação pode alguém retirar de maltratar um animal indefeso? Ser conhecido? E os pais dele, por onde andam? Esquecidos de lhe dar educação? Porque não ser conhecidos por obras grandes, como ser bom aluno, ser voluntário, ser um bom ser humano? Para isso é preciso disciplina, cuidado e atenção. Se os pais fossem penalizados pelos disparates dos filhos, talvez muita coisa mudasse. Este já tem 19 anos, é quase um homem. Isto é chocante e vergonhoso. E vai sair imune de tudo isto. Paralelamente a esta atitude, a televisão estatal passa espectáculos degradantes, como as touradas, onde os homens maltratam os touros. É um exemplo absolutamente irracional e vindo de um canal público. Que fazer? Os animais ainda não são tratados com o respeito que merecem.

Na terça-feira também aconteceu aquilo que se pode chamar de totalmente impensável. Outro rapaz, este mais velho, com 24 anos, decidiu tirar uma selfie. Já de si a atitude tem muito que se lhe diga, mas não é por aí que a coisa corre mal. O pior é que se lembrou de subir a um nicho, na estação central, no Rossio, onde estava a estátua de D. Sebastião. Começa logo por ser um crime contra o património e o mais grave veio a seguir. Não sei o que fez, mas a estátua caiu e partiu-se. E agora? Como se repara este disparate? Era um bem cultural colectivo. É património. Estava ali e era para ficar. Ele fugiu, mas foi apanhado. Realmente a memória de D. Sebastião continua a dar que falar. Foi numa terça-feira, mas não havia nevoeiro nem cavalo branco. A ironia é que a idade é a mesma do desaparecido. Isto não foi um mito, foi real. Para ficar numa fotografia? Mas o que é isto? Deve ser severamente punido e que sirva de exemplo.

Não sou nem conservadora nem radical, penso que tudo tem um meio termo, mas, nestes casos, é difícil de o encontrar. As questões que coloco são importantes e dizem respeito a todos nós. Onde andam os valores? Que é feito deles? A História já não é respeitada? Os seres vivos não têm sentimentos? Que juventude é esta que só se realiza a estupidificar? Como é que foram educados? Ah, pois… não foram.

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Comments 1
  1. Hoje em dia tudo o que seja dinheiro fácil, os jovens aderem. O problema é faze-los perceber que muita coisa não é real!!
    Excelente artigo.

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