A busca pela perfeição

Procuramos a perfeição em tudo aquilo que fazemos. Queremos ter a família perfeita, as notas escolares perfeitas, o trabalho perfeito, o carro perfeito, a casa perfeita e até as roupas perfeitas. Queremos, sobretudo, encontrar a pessoa perfeita, para se aliar a toda essa ilusão de perfeição que vamos ansiando alcançar. Por que razão ambicionamos tanto alcançar a perfeição em todos os níveis das nossas vidas? O que fazemos para alcançar essa perfeição?

A meu ver, não fazemos nada em concreto. Todos os dias tentamos ser o melhor que podemos ser e dar o melhor de nós, com vista a um futuro perfeito e sempre em busca da perfeição em tudo, esquecendo-nos, assim, de aproveitar o momento. Fernando Pessoa disse um dia que “adoramos a perfeição porque não a podemos ter; repugná-la-íamos se a tivéssemos. O perfeito é o desumano porque o humano é imperfeito.” Noutras palavras, a perfeição é uma utopia à qual nos agarramos porque não conseguimos aceitar que, como seres humanos que somos, falhamos, erramos, somos imperfeitos.

Errar está-nos no sangue, é parte inerente daquilo que somos e da nossa natureza. Ora, como o ideal de perfeição defendido por muita gente diz que ser perfeito é não falhar, facilmente percebemos que estamos longe da perfeição. No entanto, pergunto-me se a perfeição será mesmo a ausência de erros? E, ao fazer esta pergunta a mim mesma, chego sempre à mesma conclusão: a perfeição nada tem a ver com a ausência de erros, mas sim com a nossa forma de conciliar as nossas qualidades e defeitos. A perfeição não está na ausência de defeitos, mas na forma como os aproveitamos a nosso favor.

Todos temos características boas e menos boas, momentos felizes e infelizes, todos falhamos, todos erramos, magoamos quem nos ama e irritamos quem está ao nosso lado. Será isso imperfeição? Não. Isso é apenas ser-se humano. E, só no dia em que aceitarmos que falhar é a mais comum das nossas atitudes, é que poderemos ver em nós e nos outros a perfeição que tanto procuramos.

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Comments 2
    1. Obrigada eu! É gratificante saber que contribuí de alguma forma para o bem estar de alguém 🙂

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