Tudo o que sempre quiseste saber sobre o ovo de galinha

Estrutura existente ao longo de toda a escala zoológica, desde invertebrados até às aves e mesmo em alguns mamíferos, o ovo pode ser de diversos tamanhos e cores. O ovo mais conhecido por todos nós e que forma parte da nossa dieta básica, sendo de grande utilidade na preparação de sobremesas, é o ovo de galinha.

Estamos habituados à rotina e a consumir, sem nos perguntarmos como as coisas do nosso dia-a-dia são produzidas. Estima-se que a domesticação das galinhas aconteceu há cerca de 8 000 anos e que estas aves foram espalhadas depois pelo Novo Mundo, na segunda viagem que Colombo realizou às Américas, no ano de 1493. Uma galinha precisa entre 24 a 26 horas para produzir um único ovo e, por cada ovo produzido, a galinha requer aproximadamente 140 gramas de alimento e 295 mililitros de água. Após colocar um ovo que pode pesar entre 60 e 70 gramas, a galinha, meia hora depois já ovula uma nova gema, que dará origem novamente a todo o processo. Num ano, esta ave pode pôr, em média, até 270 ovos. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, a China é o maior produtor de ovos de galinha do mundo, produzindo aproximadamente 390 biliões de ovos por ano, o que representa quase a metade do subministro mundial. A produção portuguesa de ovos foi de 1.406.273.000 ovos, em 2012, e de 1.222.179.000 ovos, nos primeiros 10 meses de 2013.

Se pensarmos bem, o ovo é um “artefacto” curioso, uma casca sólida, mas frágil, que envolve substâncias viscosas. A casca é a cobertura exterior do ovo e é de grande importância, por actuar como barreira protectora contra micróbios e condições ambientais hostis. Mesmo que não o vejamos, esta casca está coberta por entre 7 000 a 17 000 poros, que facilitam a troca gasosa entre o interior do ovo e o ambiente. Por sua vez, toda a superfície externa da casca está rodeada por uma fina cutícula formada principalmente de proteínas, que serve também como barreira contra micróbios e evita a perda de água. Se olharmos bem para um ovo, esta fina cutícula é o que lhe confere um aspecto “reluzente”.

Dentro do ovo, para além de membranas protectoras, que cobrem por dentro a casca, está a clara, cuja função principal é a de proteger a gema do ovo e de dar nutrientes adicionais para o crescimento do possível futuro embrião. Esta é formada principalmente por água e pela proteína albumina. Sabemos também que no interior do ovo, localizada centralmente de forma densa e de cor alaranjada, está a gema, que representa 20% a 31% do peso total do ovo. Encontra-se separada da clara por uma fina membrana (membrana vitelina) e é uma grande reserva de nutrientes para o embrião, sendo também o local onde este começa a ser formado.

Porém, como é que o ovo se forma? Tudo começa no ovário da galinha, onde se encontram os óvulos, que são nada mais, nada menos do que as gemas. Os óvulos (gemas) amadurecem e incorporam nutrientes. A gema amadurecida é liberada do ovário e migra para um órgão chamado infundíbulo, onde se forma uma membrana espessa que protege a gema e que irá originar depois a clara do ovo. É também aqui que ocorre a fecundação do ovo, caso houver acasalamento. Uma vez superada esta fase, o ovo percorre um canal, no qual as paredes irão segregar substâncias, como proteínas, sódio, cálcio e magnésio, que completam a formação da clara. Após percorrer este canal, o ovo passa para o istmo e aqui a clara ganha água e fica fluída, tal como a conhecemos.MG_tudooquesemprequisestesabersobreoovodegalinha1

Até aqui, desde o início do processo, passaram-se aproximadamente 4 horas. Finalizada esta etapa no istmo, o ovo passa para o útero, onde recebe uma massa viscosa, que será a base para a formação da casca, solidificando-se, após ser impregnada por cristais de carbono e cálcio. Esta última fase no útero é a mais longa de todo o processo e dura aproximadamente 20 horas. Quando a casca já está pronta, o ovo segue para a vagina para ser expulso pela cloaca, que é basicamente uma câmara onde desembocam a vagina, o útero e o recto da galinha. Porém, a natureza é sábia e, para que o ovo não entre em contacto com as fezes e a urina presentes na cloaca, a vagina projecta-se para fora no momento da postura.

Quando era criança, pensava que os ovos que a minha mãe comprava no supermercado, algum dia, ao serem abertos, iriam ter um pintainho amarelo morto e pensava também que as manchas avermelhadas e castanhas, que às vezes via na gema, eram o futuro pintainho. Depois, descobri que os ovos utilizados para o consumo humano são ovos não fecundados, ou seja, são inférteis e deles nunca poderia sair nenhum pintainho amarelo e que as manchas na gema, são, na verdade, células que cobrem o canal da galinha por onde o ovo se forma e que, durante a produção do ovo, soltaram-se das paredes do canal, ficando dentro do ovo.

Já alguma vez viste um ovo com duas gemas? É estranho, mas pode acontecer e isso ocorre, quando a galinha é muito jovem e o seu sistema reprodutor ainda não amadureceu completamente, liberando duas gemas em vez de uma.

MG_tudooquesemprequisestesabersobreoovodegalinha2Sabemos também, porque já vimos, que há ovos de cores diferentes. O que determina a cor da casca é a raça da galinha. Não é uma regra que funciona a 100%, porque a Natureza tem sempre as suas excepções, mas, geralmente, as galinhas brancas colocam ovos brancos e as galinhas com penas escuras colocam ovos castanhos. Existem ainda dois tipos de galinha (Araucana e Ameraucana) que colocam ovos azuis e verde azulado. A coloração da casca é resultado de pigmentos adicionados, durante a formação da casca do ovo, e é apenas uma diferença estética determinada geneticamente que não está relacionada com o valor nutricional, qualidade, ou sabor do ovo.

O ovo possui cerca de 70 calorias e é um dos alimentos mais completos que existe, pois é uma alta fonte de proteínas (entre elas a colina, substância necessária para compor a membrana de todas as nossas células e que actua também na transmissão dos impulsos nervosos), vitaminas (A, D e o complexo B), antioxidantes e minerais, entre outros nutrientes. O melhor é que, para além de nutritivo, o ovo é um alimento barato, presente na dieta de todas as classes sociais de todo o mundo.

Embora tenha sido (e ainda seja) considerado um vilão, por gerar colesterol, estudos recentes estão a mudar esta visão, evidenciando os efeitos benéficos do ovo e desvinculando-o da questão do colesterol. O investigador António Bertechini (Univerity of British Columbia, Vancouver, Canadá) garante, num artigo científico, que é possível consumir até duas unidades de ovos por dia, sem que haja riscos de colesterol e os consequentes problemas cardíacos. Estudos científicos provaram que de todo o colesterol existente numa pessoa, só 30% provém da alimentação e apenas 15% do que é ingerido é absorvido, o restante é sintetizado no fígado. Quando o colesterol aumenta na alimentação, o fígado diminui a sua síntese, para regular as quantidades no sangue. De facto, o ovo tem muito colesterol (contém entre 210 mg a 215 mg), contudo, a colina também ajuda a controlar a sua existência no corpo humano.

Não é por falta de motivos que o ovo tem uma data comemorativa. Em 1996, criou-se o “Dia Mundial do Ovo” pela International Egg Comission, comemorado sempre na segunda sexta-feira do mês de Outubro, tendo esta data a finalidade de destacar este produto como um dos mais nutritivos e versáteis alimentos da dieta humana e englobar pessoas do mundo todo num intercâmbio de informações nutricionais e receitas saudáveis.

Share this article
Shareable URL
Prev Post

Com a GULA me Conquistas

Next Post

Person of Interest

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Read next

Teremos sempre Paris?

No rescaldo de mais uma Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas do IPCC (Painel…