Com narrativas criadas para crianças e adultos, a Disney é uma verdadeira máquina de fabrico de sonhos. A receita de sucesso é sempre a mesma: utiliza a felicidade para criar mais felicidade. Mas afinal porque é que passado tantos anos (o primeiro filme foi lançado em 1928, ainda a preto e branco), continuamos a apreciar esta magia fabricada, nestes filmes de animação? É verdade que o mesmo sentimento que tínhamos em criança volta a aparecer, mesmo em adultos. A comemorar os 10 anos do Repórter Sombra, apresento uma lista com as dez lições que a Disney nos ensinou.
Hakuna Matata
Provavelmente das frases mais mencionadas dos estúdios de animação. Criada para o filme “O Rei Leão” (1994), e todos nós conhecemos a canção. Hakuna Matata é uma expressão utilizada no Quénia que significa “longa vida”. Ou traduzindo livremente, vida sem preocupações. Que é esse mesmo o lema de vida das personagens Timón e Pumba que ajudaram o jovem leão, Simba, a ultrapassar a dor de perda, e a reivindicar o que outrora fora seu. Com este lema damos valor aos pequenos momentos.
Apenas continua a nadar
No filme de animação “Á Procura de Nemo” (2003) do qual a Disney produziu juntamente com a Pixar, conhecemos a história de um peixe-palhaço que procura incansavelmente pelo seu filho, no imenso oceano. Apesar das barreiras da viagem, a frase “Just keep swimming”, que em tradução livre é “apenas continua a nadar”, é várias vezes mencionada. Pois apesar das advertências, é importante não desistirmos dos nossos objetivos, que com algum esforço, os conseguiremos realizar.
Nunca é tarde de mais
À medida que vou envelhecendo esta frase, faz cada vez mais sentido. No filme “Up-Altamente” (2009), outro da Disney juntamente com a Pixar. Carl é um velho resmungão que juntamente com Russell um escuteiro fala-barato vai realizar o seu último desejo, visitar o Paraíso das Cascatas na Venezuela. Apesar da sua idade avançada, Carl não desiste e afirma que nunca é tarde de mais para sonhar e para cumprir esse mesmo sonho.
Ouve o teu coração
No filme “Pocahontas” (1995) baseada numa história verídica, foi inovadora à sua maneira. Desta vez não era a princesa que precisava de auxílio. A protagonista era determinada e firme nas suas decisões, até ao dia que conhece John Smith um navegador, que mudou todo o seu mundo. Pocahontas terá de escolher entre o amor e o seu povo. Mas o que pesa mais nesta decisão é o seu coração, que já sabe qual a decisão mais correta a tomar.
Ohana significa família
O filme “Lilo e Stitch” (2002) centra-se na história de uma menina havaiana, órfã que apenas tem a irmã como tutora. Contudo sente-se um pouco excluída, e é quando conhece Stitch um extraterrestre muito desorientado e conturbado. Apesar das diferenças e das confusões que vão acontecendo, ambos percebem que estão melhor juntos e por isso são uma família. Para o melhor e pior. Quem não deita uma lágrima quando Stitch fala: “Ohana significa família, e na família ninguém é deixado para trás”.
Tens um amigo em mim
A revolução tecnologia da animação chegou com o filme Toy Story (1995), a primeira longa-metragem da Pixar e a partir daí um sucesso de filmes. Este filme explora a amizade improvável entre um cowboy e um astronauta, quando os brinquedos têm vida. Em Toy Story, Woody e Buzz separam as suas diferenças e percebem que na verdade o que os separa é o que os junta e por isso podem sempre contar um com o outro.
De zero a herói
Foi no filme “Hercules” (1997) que aprendemos que não importam as nossas origens, conseguimos também ser felizes se tivermos a determinação certa. Hércules foi mesmo de zero a herói. Apesar de ser o filho de uma divindade, na sua adolescência, a vida não lhe corria bem. Foi quando aceitou o seu passado, e utilizou a sua força para ajudar das pessoas é que se tornou no herói. Por isso devemos aceitar as nossas limitações e torna-las nas nossas forças.
Para onde é o caminho? Depende para onde queres ir
No filme “Alice no País das Maravilhas” (1951), baseada na obra literária de Lewis Carroll, conhecemos uma jovem insatisfeita com a sua situação atual. Rapidamente conhece um coelho apressado e tudo em que acreditava muda. Alice percebe que não está sozinha, mas tudo depende de si. Não se deixar influenciar por opiniões alheiras e seguir o caminho que lhe parece o mais correto. Num dos caminhos que terá de percorrer pergunta-se “para onde é o caminho?” ao que o gato sorridente Cheshire lhe responde “depende para onde queres ir”. Pois não existem opções erradas.
O que me faz ser diferente, é o que me faz ser eu
Uma das personagens mais icónicas da Disney é o ursinho Pooh. Apesar de ser caracterizado como muito fiel e trapalhão, os seus conselhos são assuntos para termos em consideração. Afirma-se pouco inteligente, mas fala com o coração e tal é o mais importante. Por isso para alcançarmos a felicidade devemos aceitar primeiro como somos, pois, tudo isso é o que nos torna únicos e especiais.
Só não me podem obrigar a deixar de sonhar
No filme “Cinderella” (1950) no clássico de contas de fadas mais mediático da Disney. A jovem protagonista estava cansada das suas obrigações perante a madrasta e as meias-irmãs. Contudo o sonho alimentava-lhe a alma. Com a sua humildade, conseguiu retirar-se da vida que levava e ir ao baile. Foi nesse momento que toda a sua vida mudou. Claro que teve a ajuda da fada-madrinha, mas o que importa é que nunca deixou de seguir os seus sonhos.
Podia comentar cada um dos filmes da Disney e as suas lições, mas este espaço não era suficiente. O que importa é que estes filmes nos marcaram e ainda marcam as gerações futuras. Mas qual é a magia? O segredo principal é nunca deixar de sonhar e essa é a principal lição que a Disney pretende transmitir.
Escrito em novo acordo ortográfico