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CinemaCultura

Star Wars Episódio I – A Ameaça Fantasma

Até à estreia de Star Wars Episódio VII: O Despertar da Força, o Repórter Sombra dá-te a (re)descobrir a força que há em ti, através de uma viagem galáctica pelos filmes anteriores.

Quando fãs e cosplayers receberam a notícia de que Star Wars iria regressar, 16 anos depois do fim da trilogia original, a euforia e as expectativas estavam bem no alto. Poder ouvir aqueles fantásticos créditos iniciais ou ver personagens de outrora rejuvenescidas…mas Star Wars Episódio I – A Ameaça Fantasma foi uma das maiores decepções cinematográficas dos finais dos anos 90, constituindo-se muito provavelmente como o pior filme de toda a saga. Vamos por partes.

George Lucas, o mítico criador da série assumiu controlo da direcção e do argumento de todos os filmes da prequela, pensando que as tecnologias digitais (possibilitadas pelas inovações de Jurassic Park do seu colega Steven Spielberg) mudariam em muito a narrativa, dando-lhe liberdade de expressão e via para a concretização do seu sonho. O processo controlado nos gastos de produção, porque a LucasFilm era – até ser adquirida pela Walt Disney – uma produtora independente, permitiu Lucas trabalhar detalhadamente cada aspecto, sem adivinhar que aquilo que estaria a criar era algo que soa agora a puro entretenimento. Mesmo assim, foi um marco, pela introdução de um novo sistema técnico na projecção em salas, a substituição do analógico pelo digital.

O enredo não trouxe nada de novo, apenas uma comum história de bem contra o mal. Nele, dois guerreiros Quinn-Gon Jinn (Liam Neeson quando ainda não tinha aquela cara de bad-guy) e Obi-Wan Kenobi (um versátil Ewan McGregor) embarcam numa aventura para salvar o planeta Naboo, ameaçado pela Federação do Comércio liderada por Nute Gunray (Silas Carson), que mais parece um desenho animado de séries-manga. Quando conhecem Jar Jar Binks são avisados que aquele planeta não é seguro. Com a Rainha Amidala (Natalie Portman) disfarçada, aterram finalmente em Tatooine onde se cruzam com um rapaz, Anakin Skywalker (Jake Lloyd). Quinn-Gon sente-se curioso em relação à Força que o miúdo transmite, mas nem tudo é o que aparenta ser. Confusos? Bem Star Wars Episódio I é demasiado.

Star Wars

O problema com o argumento é que torna o protagonista Jake Lloyd, num instrumento do sistema da indústria de Hollywood. Não é deveras uma má escolha no elenco, apenas não se sobrepõe em relação à medíocre escrita de Lucas, para já não falar de Jar Jar Binks. Todos nós, crianças na época vimos a personagem e achamo-la bastante divertida, mas agora que olhamos para trás percebemos o quanto estávamos enganados e como ela é muitas vezes o maior erro do filme.

Mesmo que tenha sido das primeiras personagens criadas totalmente por computador, Jar Jar Binks toma atitudes tão monótonas – parece um bebé com rédea solta, responsáveis pelos perigos que recaem sobre os protagonistas. De facto, denota-se o quanto a aliança entre imagem real e imagem computadorizada foi um desastre, uma vez que Robert Zemeckis, em 1988, tinha feito algo bastante melhor com Quem Tramou Roger Rabbit?

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Pelo contrário, continua a ser formidável ver Ewan McGregor e Natalie Portman (ou Keira Knightley pela parecença dos seus rostos) nos desempenhos que os tornaram as estrelas que são hoje e nenhum deles, mesmo que participando nos próximos dois filmes ficaria preso à personagem. McGregor e Portman são a alma deste e dos outros dois filmes, cujas emoções ficarão à flor de pele e colocadas à prova, conforme Anakin é conduzido pelo Lado Negro da Força.

O erro de George Lucas foi, neste capítulo, querer integrar elementos clássicos da série e outros novos, esquecendo o enfoque da trama. Provavelmente por isso o cinema digital começou a ser criticado, porque entrávamos em histórias pobres e demasiado cépticas para serem levadas a sério. A sua produção teve apenas 65 dias de filmagens em espaços físicos, sendo que 2 anos (95% do filme) foram alcançados em pós-produção. Indiscutivelmente pioneiros, os efeitos especiais do filme não são em nada mágicos, porque estão mais próximo à tecnologia utilizada nos videojogos (que também dava os seus passos) do que a uma verdadeira experiência cinematográfica.

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Em relação ao vilão, parece mais um ouriço a ferver de raiva do que o inimigo a levar a sério, talvez servindo de protótipo aos vilões de filmes de super-heróis, sem qualquer dimensão emocional e desejoso por destruir o mundo. A cena final também é prolongada e o cliché sobre a morte de Quinn-Gon evidente, para tornar Obi-Wan o mestre de Anakin. A verdade é que neste caso as coisas até conseguem ser bem explicadas, mas duração de aproximadamente 136 minutos dava oportunidade para outras coisas.

Enfim, veja e reveja Star Wars – Episódio I: A Ameaça Fantasma sobretudo como uma fábula infantil e perceba aquilo que correu mal. Aguardamos que Star Wars Episódio VII: O Despertar da Força não seja uma aventura adolescente como as primeiras imagens perpassam.

Ficha técnica
Ano de Estreia: 1999/ Título português: Star Wars Episódio I – A Ameaça Fantasma/ Título original: Star Wars Episode I: The Phantom Menace/ Realizador: George Lucas / Argumento: George Lucas/ Elenco: Liam Neeson, Ewan McGregor, Natalie Portman, Jake Lloyd, Ian McDiarmid, Anthony Daniels, Kenny Baker, Pernilla August e Frank Oz/ Música: John Williams/ Duração: 136 minutos

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Virgílio Jesus

Licenciado em Ciências da Comunicação e com Mestrado em Cinema e Televisão pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, sou um apaixonado por cinema desde os meus 10 anos. Todos me conhecem como o 'viciado em filmes' porque na realidade estou sempre interessado em ter a sétima arte como tema de conversa.

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