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Sorte… ou perseverança?

Sorte. Aquela designação variável, cheia de interpretações. Aquele agente que age sem propósito, inesperado e indomável, forjando acontecimentos negativos ou positivos na vida das pessoas. Aquele impulsionador de influências que produz efeitos inusitados na vida de qualquer indivíduo. Muita gente tem a crença de que a sorte gere inevitavelmente as nossas vidas e que estamos implacavelmente ligados à imutabilidade de um destino ligado a ela, criando-se a ideia de que o desenrolar da vida é prescrito por uma sentença silenciosa a partir do momento em que a nossa existência se torna certa, entrando assim cada um de nós num jogo desmedido em que os eventos existenciais são estabelecidos por um “cara ou coroa” decidido desprendidamente.

É evidente que a “sorte” existe e vai moldando de determinada forma algumas situações da nossa vida. É certo também que cada um tem uma trilha a ser explorada sem um futuro certo, mas não de forma tão linear e inabalável. O Homem é um ser singular, dotado de capacidades que estão longe de fazer parte de outros seres vivos, como o libre arbítrio, que nos dá a possibilidade de escolha, a racionalidade, que quebra o limite das nossas opções e a moralidade, que nos permite distinguir aquilo que é bom e o que não é correto. Assim sendo, possuímos em nós um comando transformador que desafia a teoria de um destino exclusivo liderado por uma sorte radicalista: o poder da co-criação.

O Homem é um ser capaz de influir a sua própria vida através dos seus desejos e de construir “estradas” com as suas experiências, dignificando bons e maus momentos através da aprendizagem. É capaz de criar focos consoante as suas motivações, delineando metas pessoais e realizações recompensadoras. Através de grandes alianças com a força, a tenacidade e a perseverança, é notável a possibilidade de cumprir compromissos pessoais e garantir o seu “ser”, “ter” e “fazer”. É através destas verdades que podemos comparar a nossa ambiguidade com a certeza da vida instintiva do resto dos animais que existem no mundo e que agem unicamente pela sua sobrevivência. Acreditar na nossas competências e possibilidades em comunhão com a fé naquilo que o universo nos pode oferecer influencia a energia que nos caracteriza e torna sonhos em realidades e suposições em certezas.

No fundo, o que pretendo dizer, é que temos a possibilidade de tomar as rédeas da vida e moldá-la, com obstáculos ou não, através das nossas verdades pessoais e aspirações regentes, confiando em nós mesmos e aceitando as adversidades como pontos de reflexão obrigatória, acreditando no equilíbrio das coisas. Afinal, o bem não existe sem o mal, e “a sorte de uns é o azar de outros”.

O facto de estarmos alheios a certos paradigmas e não possuirmos o poder de controlar certas coisas, não significa que o ser humano tenha de deixar a sua existência à deriva das incertezas e que não possa construir, pacientemente, os seus amanhãs. Acreditar na sorte como um elemento regente e primário que governa a nossa humanidade é uma ofensa àqueles que atingiram propósitos improváveis e viveram vidas marcadas através da resistência pessoal e trabalho árduo.

Sorte é estarmos vivos para lidar com a sorte, sorte é poder lutar pela sorte, sorte é poder construir a própria sorte, porque a vida é concebível e o ser humano resiliente.

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