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Saúde

Somos o que comemos? Comemos o que somos?

Ou comemos como somos?

Nunca a “soft skill” capacidade de adaptação foi tão bem apreendida e apropriada como nos últimos meses. O ser humano tem a capacidade inapta de se adaptar ao contexto em que se rodeia. Somos, contudo, muito mais hábeis e maleáveis à mudança quando ela nos é imposta, quer por motivos físicos, quer por motivos emocionais.

Há cerca de 2 anos, por ter feito um implante e um tratamento dentário ao mesmo tempo que afetaram cada lado distinto da boca, estive mais de um mês a comer: sopa líquida, iogurtes e gelatina. Para alguém que fazia questão de encerrar os dias mais difíceis no trabalho com um bom naco no Cepa ou na Churrascaria do Paço, foi um período esfomeado.

Contudo, após esta limitação e imposição física e temporal, descobri que as minhas papilas deixaram de reconhecer como bom o sabor da carne e também perdi a vontade assolapada de ingerir este alimento (só não desapareceram os dias mais difíceis). Assim reduzi o consumo de carne de vaca para os dias de festa e eventos não organizados por mim e onde não haja outra alternativa. E para além de ter deixado de apreciar o sabor, também constatei que por menor que seja a quantidade que ingira fico saciada durante mais tempo do que com outros alimentos.

Com esta alteração na minha dieta, não passei a vegetariana, piscívora, crudívora, flexiqualquercoisa ou outra moda de nome exotérico. Continuo a comer peixe da costa e carne branca, com e sem hormonas, assim como continuo a “assaltar” as bolachas, o pão, o chocolate e os gelados quando tem de ser.

Quando ingiro um alimento, privilegio que seja pouco processado, que tenha uma base mínima de nutrientes, de preferência que conheça a cadeia de fornecimento e que tenha uma pegada ecológica pequena. Contudo, não sou extremista. Não me tornei nem mais, nem menos ambientalista do que já era, nem mais nem menos amiga dos animais, não pretendo que o que como me defina ou limite, mas é verdade que o que como reflete esta minha forma de estar e pensar.

Juliet Boghossian, uma especialista em psicologia comportamental, relata que mais do que o que comemos, somos como comemos, ou seja, a nossa personalidade reflete-se na forma como interagimos com a comida:

  1. Quem come devagar – os confiantes, mas também quem tem falta de energia ou está triste. O humor afeta significativamente o que comemos.
  2. Quem come rápido – os capazes de realizar várias tarefas ao mesmo tempo, que gostam da competição saudável e que colocam as necessidades dos outros acima das suas próprias prioridades. (Não se esqueçam que mastigar devagar ajuda a digestão.)
  3. Quem organiza a comida no prato – os organizados e metódicos, que evitam conflitos e confusões.
  4. Quem vê a comida como uma experiência gastronómica – Os que não têm medo de novos desafios e ficam felizes quando eles chegam.
  5. Quem escolhe muito bem aquilo que come – quem não está disponível para sair da sua área de conforto, os mais ansiosos.
  6. Quem come item por item – os bem-organizados e orientados em relação aos seus objetivos. Dizem os especialistas que estas pessoas costumam fazer as tarefas de maneira eficiente e organizada.

Identificam-se em um ou mais grupos? Eu também.

O que é certo é que comer é sempre melhor quando intercalamos umas garfadas com duas de treta e um bom copo de vinho ou de um suminho de laranja. E mais do que sermos o que comemos ou comermos como somos, importa com quem partilhamos as refeições, mesmo estando sozinhos.

Por agora para encerrar os dias mais difíceis suspiro pelo Mendi, pelo Caxemira, pelo bacalhau com natas do Pedra de Sal em Serpa, pela feijoada de chocos em Vieira de Leiria, pelos cogumelos da Churrasqueira do Paço, pelo arroz de pato solto do Calça, pelo arroz de carqueja e pelas canilhas do Cepa e pelo arroz de cabidela da minha mãe.

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