Ser jovem em 2019

Nasci em 90 e fui adolescente na viragem do milénio. A minha geração sabe como era ser jovem, quando ainda não existiam telemóveis, redes sociais e youtubers. Também sabemos o que é brincar na rua e esmurrar os joelhos. E acima de tudo sabemos que, quando os nossos pais diziam “não”, era acatar e seguir caminho.

Hoje olho para os jovens da nossa sociedade e sinto algum receio. Como em tudo, há o bom e o mau e não podemos generalizar, mas daquilo que vejo e com que convivo, o que sinto é que se cria uma geração habituada ao facilitismo, comodismo e centrada em si mesma.

Ser jovem em 2019 é ter um mundo de oportunidades como nunca antes foi possível, é frequentar o secundário com perspectiva de entrar no ensino superior, é poder estar, ainda que virtualmente, em todo o lado, ter acesso a toda a informação sem sair do sofá. Ser jovem hoje é não ter noção de que outrora um café já custou 50 escudos (0,25€), de que ser criança é brincar na rua, andar de bicicleta, jogar às escondidas, saltar à corda.

Os jovens para que olho hoje têm o mundo nas mãos, uma infinidade de possibilidades e de caminhos que os podem levar ao sucesso ou ao fundo do poço. Habituados a ter tudo no imediato, falta a estes jovens a paciência e, por vezes, a humildade de saber que nem tudo chega, quando queremos. Por outro lado, são pessoas que desde cedo conhecem “o mundo” e não se deixam enganar com a história da cegonha que traz os bebés ou do pai natal que lhes põe os presentes no sapatinho a troco de bom comportamento.

Acima de tudo e observando o que me rodeia, acredito que muitos dos actuais jovens poderão tornar-se excelentes profissionais, pois têm acesso a um nível de educação de excelência. Podem um dia ser adultos fantásticos e lutar por grandes causas, pois trabalhamos na consciencialização dos jovens desde crianças. Têm a hipótese de ser pais maravilhosos e construir um núcleo duro de amigos que estará ao seu lado o resto da vida. No entanto, também acredito, que tudo isto só será possível no dia em que se concentrarem nas relações humanas, no palpável, na vida, no que os rodeia e deixarem de viver no virtual, de se alimentar dos likes e começarem a pensar por si mesmos.

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