fbpx
CulturaLiteratura

Os policiais do Norte.

Stieg Larrson morreu em 2004, pouco tempo depois de entregar à sua editora sueca os 3 volumes da trilogia Millenium. Um enfarte inesperado aos 50 anos de idade, não o deixou assistir ao fenómeno mundial em que a sua obra literária se transformou. Um pouco por todo o mundo, leitores desamparados e ansiosos relatavam noites sem dormir e histórias de amor platónicas com as personagens principais. Stieg Larrson apresentou ao mundo Lisbeth Salander e Mikael Bloomkvist e a partir daí a literatura policial nórdica nunca mais foi a mesma. Estas personagens complexas e demasiado humanas foram adaptadas ao cinema, copiadas em eventos de cultura pop e tatuadas na pele e imaginação de fãs saudosos. O fenómeno não morreu e a sensação contínua de vazio de uma história que nos fica, foi difícil de preencher. A travessia no deserto foi longa mas finita. Partindo da premissa que cada escritor é único e irrepetível, que escrever, seja poesia, sejam romances é reflexo turvo de quem escreve e que há policiais nórdicos absolutamente brilhantes, quis o destino que me oferecessem um livro do escritor norueguês Jo Nesbo. “ Faz lembrar o Stieg Larrson”, disseram-me. Fazer lembrar não é ser igual. Consciente que não há amor como o primeiro, foi com curiosidade que li em poucos dias “O Redentor”, o sexto livro da saga Harry Hole.

Jo Nesbo nasceu em 1960. É músico, economista e escritor. Conduz esporadicamente um táxi em Oslo e disse em entrevista que são nestas viagens que se inspira para dar forma ao detective Harry Hole, a personagem central da maioria dos seus livros. Com uma escrita escorreita, rápida e cativante, Jo Nesbo tem cheiro a pão acabado de sair do forno para todos os leitores que comem thrillers nórdicos. Os seus livros começam de forma bruta, as histórias têm quase sempre um toque demasiado violento e a política é presença discreta mas constante.

As personagens são complexas mas próximas como um amigo e o detective Harry Hole é um homem que atrai mulheres e que faz inveja aos homens, bebe demais, fuma demais, ama demais e bate demais. As histórias são tipicamente nórdicas e existe sempre uma penumbra de fronteira desconfortável entre o dia e a noite. Não existe grande espaço para novelas pois Jo Nesbo escreve com o pé no acelerador, basta ler a primeira página para ficarmos agradavelmente presos a uma dinâmica que nos deixa sem fôlego. É verdade que um livro de polícias e ladrões tem, à partida, a fórmula básica para ser um êxito mas isto não significa que o mesmo nos fique no sono. A excitação e o medo que sentimos ao ler um livro de Jo Nesbo faz com que qualquer fã do género o eleja como um dos mais deliciosos.

Stieg Larrson morreu demasiado cedo. Os seus leitores ficaram órfãos mas conseguiram encontrar conforto no colo gelado de Jo Nesbo. Com mais de 20 livros publicados, 45 milhões de cópias vendidas em todo o mundo e inúmeros prémios literários, Jo Nesbo afirma-se como um dos maiores e mais queridos escritores da actualidade. Prova que é a norte que nascem os grandes policiais.

Rita Ramos

Escrevermos sobre nós próprios, no sentido de nos darmos a conhecer a quem nos lê, acaba sempre por ser ingrato. Somos um nome? Uma idade? Uma formação académica? Eu quero acreditar que somos tudo o que vivemos, que somos tudo o que nos rodeia e que absorvemos, que somos quem amamos, que somos os livros que lemos e as viagens que fazemos. Somos um conjunto de tudo e de nada. Quanto a mim, sou a Rita, tenho 37 anos, sou licenciada em Relações Internacionais, sou casada, sou filha e mãe, e as palavras têm sido a minha maior companhia ao longo da vida.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Botão Voltar ao Topo
%d bloggers like this:

Adblock Detectado

Por favor, considere apoiar o nosso site desligando o seu ad blocker.