O Mel e as Vespas de Fernando Évora

Uma saga familiar, passada numa zona do país, a Serra Algarvia, na qual não era (e ainda não é) fácil viver. Os Valentes e os Caça-Lobos iriam unir as famílias, como no início um narrador descendente destas duas famílias nos faz querer. Mas até lá muitas peripécias se iriam passar, de vida difícil traçada com os ecos de eventos importantes que chegavam à isolada localidade de Cancino.

A personagem principal é a própria família em si, não existindo nenhum dos seus constituintes mais destacado, apesar de um bom conjunto deles merecer mais lugares na narrativa, com aspetos de realismo mágico que bem reconhecemos, ainda hoje, quando ouvimos histórias dos mais velhos habitantes de sítios como aquele. É um livro escrito à minúcia, sem pontas perdidas, sem pormenores históricos e geográficos que não tivessem sido investigados. Um rol vasto e complexo de personagens, típico destas vastas sagas familiares.

Esta história, em especial para quem tenha raízes no interior, mesmo que não seja no interior algarvio, acaba por ser uma história de todos nós, o reunir numa linha narrativa de acontecimentos semelhantes que chegámos a ouvir aos nossos familiares mais velhos. Essa semelhança, traz-nos a familiaridade, mais um aspeto que nos prende à narrativa, encantatória, que suga o leitor da primeira à última página.

A voz do autor é bem visível em personagens caricatas, bem dispostas, que se encaminham por trágico comédias que até nos podem fazer rir, mas que depois nos fazem sobretudo pensar.

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