Crónicas

Não me desejem “Bom Natal”

Chegados a Dezembro, torna-se encantador ver as ruas iluminadas com cores novas, com adereços estrelados ou em forma de floco de neve.

Chovem chamadas, telefonemas, mensagens e contactos daquelas pessoas que não nos dizem nada durante o ano inteiro, mas ai delas se não disserem nada. Parece mal não se lembrarem de todos durante o Natal. Só que não!

Não me desejem “Bom Natal”, se durante o ano inteiro nem sequer um “bom dia” me dirigem. Sejam coerentes.

Não gosto do Natal. Tenho as minhas reservas e os motivos são para mim.

Não me entupam com perguntas. Não me levem para mercados de Natal, para me inspirar no espírito da época; bem vistas as coisas, o maior espírito que lá se encontra é o do consumo desenfreado. E nada contra. Gaste-se dinheiro. O que se tem, o que não se tem, cada um com a sua carteira e conta.

O mesmo se passa com o Natal. Nunca demovi ninguém a gostar desta época. Nunca disse a ninguém que o melhor era quererem passar o dia a trabalhar, como faço, para me esquecer que é o dia que é.

Então, respeitem-me! Respeitem quem não se sente confortável com esta época e não nos entupam com aquilo que isto tudo significa para vocês porque não será isso que nos fará mudar de ideias. Não nos vejam como coitadinhos, por não gostarmos do mesmo que vós.

Não nos perguntem reiteradamente se temos a certeza. É óbvio que temos! Ninguém que assume não gostar do Natal o fez de repente. Cada pessoa com a sua razão e toda é merecedora de respeito.

É esta uma época farta. Farta em amor, em partilha, em solidariedade, em família (quando a há). Cheia de embrulhos, caixas, cartões. Perfumada pelo cheiro a canela e a sonhos fritos. Regada com a chuva do Inverno e há noites em que nos chove nos olhos também. É quando choramos. E há quem chore na noite de Natal, invariavelmente.

Não perguntem. Não justifiquem. Não tentem persuadir. Não mostrem o quanto o Natal vos é lindo. Não!

Experimentem antes respeitar, abraçar, dizer que embora não saibam o que se passou para que exista dissabor a quem está perto de vós, vocês permanecerão ali, ao lado, enquanto for preciso.

Talvez isso seja o melhor espírito natalício que lhes podem dar. O da presença, sem luzes a piscar, músicas a tocar nem adornos de flocos de neve. E lembrem-se mais vezes de quem vos rodeia. Usem esse espírito mais vezes. Todos os dias.

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Sofia Fonseca Costa

Nasceu numa quarta feira de Novembro, no ano 1984, mas não gosta de meio termos. Desde que se lembra que quer ser escritora e mãe. Dizem que no canto do seu sorriso mora um arco-íris. Vive para as palavras e afectos. Não gosta de chocolate. É formada em jornalismo e fez teatro durante mais de uma década. Mãe de quatro filhos a quem chama de Soneto. É autora do livro Murmúrio Infinito. Chamam-lhe Sofes Marie.

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