fbpx
ArtesCultura

Goya

A arte tem brindado o mundo com inúmeros artistas marcantes que enriquecem a história da humanidade. Cada um de nós terá o que mais gosta ou os que mais gosta, ou aquele/a que mais o marcou por algum motivo. A minha ligação com o Goya assenta essencialmente no quadro – O Fuzilamento de 3 de Maio (1814). Não pela beleza em si mas pela mensagem e pela data.

Este óleo sobre tela de Goya retrata a repressão do acontecimento que se conhece como o levantamento de 3 de Maio, ocorrido após Napoleão ter invadido Espanha e a casa real ter-se visto obrigada a seguir as suas ordens. A revolta rompe a 3 de Maio de 1808, quando uma parte do povo de Madrid tenta evitar a saída, ordenada pelos franceses, do infante D. Francisco de Paula de Bourbon (mais tarde chegaria a Rei) filho mais novo de do rei Carlos IV para a França. A situação escalou e as tropas francesas atiraram contra os madrilenos sublevados.

O quadro retrata uma cena noturna, a composição apresenta dois setores, a coluna de soldados franceses, imersos numa sombra acentuada pela frieza das cores, que contrasta com o grupo de condenados, inundados por uma intensa luz definidora de flamejantes amarelos e vermelhos que sobressai em toda a tela. O ponto focal do quadro é precisamente a camisa branca de um dos condenados. Apesar de retratar um momento especifico da história Espanhola, Goya só o pintou 6 anos mais tarde. Os quadros “O 2 de maio de 1808” e “O 3 de maio de 1808” encontram-se expostos no Museu do Prado, em Madrid e fazem parte de uma sequência que visa perpetuar a memória brutal e violenta das invasões francesas em Espanha. 

O quadro retratado (pela altura do meu aniversário, dai a menção à data) é um marco importante da história Espanhola e da cidade de Madrid tanto que os feriados municipais são comemorados nestas datas, para meu grande deleite. 

Francisco Goya ou simplesmente Goya como ficou conhecido para a posteridade, foi um dos grandes pintores da corte espanhola do séc. XVIII. Um mestre da escola do Realismo no registo dos horrores da guerra, das assombrações do mundo e da vida interior dos homem. Nasceu em Fuendetodos, Saragoça no dia 30 de março de 1746 , filho de um modesto dourador de estátuas e livros e de Gracia Lucientes, filha de uma família de nobre de Saragoça em decadência. Com 13 anos, Goya foi entregue aos cuidados do pintor José Luzán y Martínez, mas o jovem preferia as ruas e as touradas ao atelier do pintor.

Em 1762, foi para Madrid e tentou, sem sucesso obter uma bolsa na Real Academia de Belas Artes em 1773. Em 1766, faz nova tentativa, mas só recebe um voto de Francisco Bayeu. Frustrado pelas  sucessivas recusas Goya tenta ganhar a vida na arena de Madrid a lutar contra touros. Em 1770, Francisco de Goya viaja para a Itália, para procurar trabalho. No ano seguinte inscreve-se na Academia de Belas Artes de Parma, recebendo uma menção honrosa dos examinadores. Volta para Saragoça e recebe sua primeira encomenda para pintar os afrescos nas paredes da Igreja de Nossa Senhora do Pilar. Começando assim a história artística deste grande pintor, Goya teve uma longa carreira artística. Para além da pintura, dedicou-se também a murais e pinturas em igrejas, a partir do momento que o sou trabalho começou a ter o merecido reconhecimento, a corte requisitou-o para inúmeros trabalhos. 

Em 1820, aos 74 anos, Goya começa a pintar, no muro de sua quinta, imagens sombrias e demoníacas chamadas Pinturas Negras, entre elas, Sábado de Bruxas (1820) e Saturno Devorando Seu Filho (1823) – (na imagem abaixo) que prenunciava seu estado de espírito.

Relembro que uma das vezes que visitei o museu do Prado foi para ver uma exposição desta fase mais negra de Goya, que o meu pai muito queria contemplar. Não fiquei particularmente agradada com o que vi, uma vez que as pinturas são efetivamente muito escuras, sombrias e bastante assustadoras! Confesso que naquela altura fez-me alguma confusão a brutalidade das imagens retratadas. Por estarem expostas numa sala redonda, dava a ideia de estarmos “cercados” por todos os lados, onde quer que os meus olhos olhassem veriam sempre as escuras pinturas de Goya a meia luz…

Goya tem um vasto espólio artístico que merece ser conhecido e partilhado. Por isso, se tiverem interesse em pintura e quiserem conhecer melhor o seu trabalho podem fazê-lo em Madrid ou Saragoça onde se encontram muitas das suas obras. 

*Imagem na capa: "A Adoração em Nome de Deus" pintado por Goya, fresco na Basílica de Saragoça. 

Sofia Cortez

Sofia Cortez marketeer por acaso, escritora em desenvolvimento e artista por vocação. Não existe uma linha condutora para a criatividade, só a vontade de criar. Entre os seus trabalhos estão uma Exposição de Croquis de Moda realizada 97 no Espaço Ágora, curso de desenho na Sociedade de Belas Artes em Lisboa, a participação em feiras de artesanato com o projeto: Nomes em Papel para crianças, um livro editado em 2018 “Devemos voltar onde já fomos felizes”, várias participações em coletâneas de autores em poesia e conto, blogger no blog omeuserendipity.blogspot.pt, cronista, observadora, curiosa com o mundo e aprendiz de todos os temas que permitam o desenvolvimento humano.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Veja Também
Fechar
Botão Voltar ao Topo
%d bloggers like this:

Adblock Detectado

Por favor, considere apoiar o nosso site desligando o seu ad blocker.