CrónicasEducação

Filho, sê o que quiseres

Todos os pais, ou pelo menos a grande maioria de nós, carrega consigo a gigante preocupação de ensinar os nossos filhos a alcançar o que quiserem, a ser bem-sucedidos, a promover o sucesso e a ganhar o hábito de ser lutadores e reclamar para si o que é seu por direito. Sem falsos pragmatismos ou excessos de egocentrismo.

Desde pequenos, oferecemos às nossas crianças as ferramentas que consideramos necessárias ao seu desenvolvimento, na esperança de que possam ser as melhores para eles, pelo menos no nosso entendimento.

No entanto, nem sempre os ensinamos a comunicar consigo próprios, nem mesmo com os outros. E esse pode ser um sério problema para a sociedade que estamos a educar.

Ora bem, se as nossas crianças não conseguirem entender-se a si próprias, se não desenvolverem em si a capacidade de se ouvir, muito dificilmente conseguirão ouvir os outros.

A vida não se compadece com o tempo que não temos para os ensinar a pensar e até mesmo a sentir-se a  si próprios, e de repente são absorvidos por formas de pensar e de agir que são aquelas que se entende sejam as socialmente aceites.

É bom que se promova o silêncio, para que as nossas crianças se consigam ouvir a si próprias, ouvir o que não conseguem ouvir no ruído da escola ou da brincadeira com os amigos.

Neste grupo, estão não apenas as crianças, mas também os adolescentes e jovens, que carecem de silêncio nas suas vidas, no meio de todas as redes sociais que utilizam e das últimas atualizações dos seus bloggers ou youtubers favoritos, entre tantos outros cenários apelativos que a sociedade atual oferece.

É no sossego do silêncio interior que se encontra a paz, e é nessa plenitude que as nossas crianças se podem encontrar a si próprios e aos outros, na procura do equilíbrio e da estabilidade emocional que escasseia na sociedade em que todos vivemos.

A prática do silêncio é um excelente auxílio, eu diria mesmo que se trata de uma terapia, que nos permite conhecermo-nos melhor a nós e consequentemente possibilitar um melhor relacionamento na sociedade.

Quem sabe estar consigo próprio, saberá necessariamente estar com os outros. O que nos ensina e realiza na relação com o outro tem de vir de nós e ser capaz de acrescentar mais valor na vida do outro. Nascemos para o mundo indefesos e aprendizes, por isso, apenas dentro de nós seremos capazes de encontrar todas as respostas de que carecem as pessoas com quem interagimos. A vida é assim e a sociedade esqueceu-se que para, se viver bem em sociedade, temos necessariamente de estar de bem connosco próprios. Só assim poderemos ser de mais valia para este mundo.

Estes são os valores que por vezes a vida não nos permite passar às nossas crianças, por falta de tempo, por falta de disponibilidade enfim, muitas vezes por falta de silêncio interior, porque é nele que se encontram as respostas necessárias para a real valorização da pessoa que somos, e necessariamente do que podemos ensinar e valorizar na sociedade em que nos inserimos.

É melhor ser rei do teu silêncio do que escravo das tuas palavras.

– William Shakespeare

Ana Paula Marques

Assumo sem qualquer tipo de pudor o grande gosto que tenho pela escrita, e pelo ato de escrever palavra após palavra, construindo momentos de reflexão e procurando embelezar os nossos dias. Verter palavras transformando-as em textos, são momentos de criatividade que me fazem mais feliz, e que espero, possa transformar de algum modo a vida de quem lê o que escrevo com tanto amor!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Check Also

Close
Back to top button
Close

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker
%d bloggers like this: