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Ficar sem chão

Todos nós, a determinada altura da vida, levamos um balde de água fria, quando percebemos que o chão foge. O chão foge-nos com as deceções ou quando perdemos o controlo das nossas emoções.

Se é verdade que uma deceção forte nos rouba o chão, ainda é mais verdade que determinados sustos ou provações limitam as nossas forças e a nossa coragem.

Perder alguém, por exemplo, seja pela inevitável morte ou apenas porque a vida assim o definiu, pode ser uma dessas situações em que o solo que pisamos deixa de ser firme e seguro.

A mim acontece-me perder o chão perante a incapacidade de agir numa aflição, em que não consegui, apesar dos esforços, dominar a situação e ajudar alguém a desviar-se de uma questão perigosa.

Quando me sinto incapaz de estar ao nível do que esperam de mim ou daquilo que eu sinto que devia alcançar. As deceções com os outros também têm essa bonita virtude de nos deixar cair nesse enorme fosso que é a desilusão. Muitas vezes é tão fundo que, dificilmente, conseguimos erguer-nos sem qualquer tipo de ajuda.

Não considero fraqueza sentirmos esse tipo de embate, mas, sim, a consequência de uma aprendizagem que surge antes de atingirmos a maturidade necessária para a entender e aceitar.

E a realidade é que nesta vida tudo é normal, tudo é possível de acontecer e nós, por muito livre arbítrio que tenhamos, não controlamos nada. Não controlamos nem os outros, nem os acontecimentos bons ou maus, nem muitas vezes a nós próprios. Crescemos, aprendemos, praticamos, mas nunca estamos preparados para nada que nos provoque dor ou sofrimento. Nunca. Custa sempre.

E se, por um lado, temos de construir, dentro de nós, as defesas para não deixarmos o chão fugir, por outro, devemos aprender a dar as mãos àqueles que nos querem bem. Todos nós passamos por momentos maus ou menos bons e, juntos, somos bem mais fortes.

Um ombro amigo, uma palavra de consolo, um sorriso de carinho ou um abraço protetor são aquela liana mágica a que nos podemos agarrar para não cair no vazio.

Acreditar e ser positivo são as vitaminas essenciais para sairmos saudáveis dessas quedas inevitáveis das quais nunca saímos completamente ilesos. Há que saber lamber feridas e prosseguir, passo a passo, neste chão inconstante e sinuoso que é a vida.

Ana Marta

Ana Marta, nascida em Sintra a 22 de Abril de 1971 e mãe de 3 filhos, desde cedo revelou o seu interesse pela escrita e pela Literatura, começando por escrever pequenos poemas durante a adolescência, época em que estudava Literatura Portuguesa. Ávida leitora desde que aprendeu a ler, sempre consumiu livros dos mais variados géneros literários e escrevia, em diários, textos sobre o que o seu coração sentia. Algumas décadas mais tarde, viria a publicar num blogue intitulado "Inexplicavelmente", textos da sua autoria e que, mais tarde, atraíram milhares de seguidores na sua página de Facebook, atualmente "ANA MARTA". Em 2020, lança o seu primeiro livro "Inexplicavelmente".

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