Era uma vez numa terra selvagem

Como toda e qualquer história, esta também começa com o famoso “era uma vez”.

Era uma vez um cidadão Português de nome Pedro Silva. Este cidadão não é rico, nem é pobre, trabalha por conta própria (porque o mercado de trabalho a isto o obriga, uma vez que o actual Governo Passos/Portas quer ser o Campeão Mundial do Desemprego) e cumpre com as suas obrigações, com algum custo como qualquer outro cidadão.

Ora, após a Consoada do Natal, o nosso amigo Pedro Silva sentiu-se mal. Vómitos e muita indisposição levaram-no a ser o Português habitual e com chá este lá se livrou da indisposição. Estava bem e pronto para continuar a gozar as suas merecidas férias pensava ele, mas o destino tinha uma carta na manga.

Sucede que, depois de ter recuperado da indisposição, o nosso Pedro acordou com febre. Após ter colocado o termómetro, este constatou que tinha 38.º Graus de temperatura. Começou a pensar seriamente em deslocar-se ao Posto de Saúde da sua área de residência, uma vez que o Ministério da Saúde, por razões meramente economicistas claro está, mandou encerrar as Urgências que serviam de apoio a uma grande franja de Portuenses. Contudo, em vez disto, resolveu ir à Farmácia, onde lhe recomendaram um anti-gripal e algo para a febre.

Só que a coisa não melhorou. No dia seguinte, a febre subiu para os 39.º. Estava na hora de ir ao Posto de Saúde. O Pedro almoçou, descansou um pouco sabendo que o dito Posto encerra às 17h45. Perto das 17h15, o nosso personagem saiu de casa e em 10 minutos estava à porta do Posto, onde foi de imediato confrontado pelo Segurança que lhe passou a mensagem de que, por ordens superiores, não estavam a atender mais ninguém desde as 15h30. Pedro ainda tentou falar com quem tinha dado tal ordem, mas não obteve sucesso algum, porque a intransigência fez marcação cerrada e ponto!

Ora, como já aqui disse, o Pedro não é pobre, mas também não é rico. É uma pessoa que tem sempre algum dinheiro de lado para as emergências e esta era, sem sombra de dúvida, uma destas emergências. É que um pouco mais à frente do tal Posto existe um Hospital privado e, no estado em que o nosso amigo se encontrava, não havia outra opção senão servir-se das poupanças para acabar de vez com o seu sofrimento. A hipótese Hospital São João/Santo António colocou-se em cima da mesa, mas é certo e sabido que isto de ir a tais estabelecimentos para tratar de uma Infecção Respiratória é um acto de pura loucura, porque as horas de espera podem vir a ser fatais como Portugal inteiro acabou por constatar.

No entanto, o cúmulo dos cúmulos não é um Posto de Saúde ter-se recusado a atender um paciente. É o Sr. Ministro da Saúde Paulo Macedo vir para o Telejornal da RTP dizer publicamente que, em Portugal, os Hospitais não recusaram doentes tal como já sucedeu em Inglaterra.

Isto só mesmo numa terra selvagem à beira mal plantada.

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