Depois do cancro

Morte. Palavra grave que marca para sempre. Alguém que deixou de existir, não volta nunca mais. É definitivo. Dura e fria. Assemelha-se a uma faca que se espeta nas costas e que teima em ficar. Perfura os tecidos e quer chegar ao coração.

Nascer, crescer e morrer. Um verdade que se repete, continuamente. Sabe-se o fim da história, mas o entretanto permanece uma incógnita e um verdadeiro mistério. Cada um tenta ajustá-lo conforme pode e quer. Vidas iguais e diferentes, repletas de acontecimentos que não se podem voltar a repetir.

A célula é a base do ser vivo e o conjunto de muitas, com tecidos e sistemas de órgãos forma o ser humano. Criam relações, sentimentos e sonhos. Nascer implica uma mãe, uma família, um plano que poderá ser concretizado. Crescer, relações maiores que se estreitam e se fomentam. Planos que se elaboram e querem ver concretizados.

Ser eterno é impossível, uma quimera de livros e de filmes. A realidade é outra, verdadeira e dolorosa. Dura. Os seres adoecem e nem sempre se curam. As doenças são matreiras e muito resistentes. Algumas não têm cura e o final é inevitável. Não é agradável, mas é real.

Outros resistem e conseguem que os seus corpos ultrapassem aquelas barreiras complicadas e frias. São lutas contra inimigos muito poderosos e fortes, com armas escondidas em todos os locais. Depois de uma batalha ganha vem logo outra e a guerra parece não ter fim. É assim.

O cancro é uma dessas doenças que nunca dá tréguas. Se ataca um órgão vital e não é detectado a tempo, raramente se consegue ganhar ao inimigo. Luta-se com todas as armas que se conhecem e com aquelas que se inventam. O que se quer é a vitória. Nada mais. Sobreviver para continuar a ter qualidade de vida.

Resiste-se e ganha-se a batalha. Vive-se um dia de cada vez, sempre com receio de ele volte, que tenha ideias maldosas de continuar a incomodar. Acorda-se e é mais um dia que está disposto a ser vivido. Abrir os braços e respirar, mergulhar no que possa acontecer e ir sempre em frente.

Os que ficam são cada vez mais. Juntam-se, auxiliam-se, apoiam-se, querem passar o seu testemunho, mostrar a sua garra e o seu modo de estar que os faz renascer, todos os dias. O sol nasce sempre, mas não é igual. À medida que o tempo passa vai ficando mais forte e mais amigo.

São pessoas que ficaram diferentes, que olham para o trivial com olhos doridos e sabem como as pequenas coisas têm um valor enorme e autêntico. São novo eus que avançam, sempre olhando por cima do ombro, mas confiantes que vão ganhar. Cada dia é uma nova luta que vai ser superada.

Depois do embate da notícia inicial, do diagnóstico confirmado, tudo muda e a atitude que cada um tem perante a doença será a chave para a solução. Quem a encobre ou ignora é um sério candidato ao fracasso. Por outro lado, a forma positiva de a encarar levará ao sucesso.

Resistir, sobreviver, lutar são as palavras de ordem, aquelas que farão parte do dia a dia daqueles que tiveram a coragem e a ousadia de olhar o cancro de frente, de o desafiar e, acima de tudo, de o derrotar. O medo, esse nunca desaparece, mas fica arrumado na gaveta de baixo. Na de cima está a esperança e a alegria de viver.

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