Bridgerton – O início

Caro leitor,

A história de Daphne e Simon é um bom exemplo de como o rancor nos impede de evoluir e seguir em frente e que o amor cuidado da forma correta pode superar muitos dissabores e enraizar um lema de vida. A paixão emerge de onde menos se espera, mesmo que seja na intriga dos boatos que acabam por ter o seu fundo de verdade.

Para os românticos incuráveis, Bridgerton é uma das melhores candidatas para ocupar o serão. Uma série baseada na saga de Julia Quinn, que traz consigo um pouco de história.

O seu desenrolar passa-se no início do século XIX, em Londres, na era em que o rei George III, estabeleceu a igualdade racial, ao desposar a sua rainha Charlotte, a qual tinha descendência africana, alçando assim vários à nobreza.

Podemos contar com oito episódios com uma média de uma hora, tornando assim uma folga ou uma noite sinónimo de maratona.

Pessoalmente se há personagem que me cativa seriamente é a estimada Lady Whistledown, a rainha do gossip.

Ela é a sombra que paira na mente da alta sociedade, o estupefaciente ilegal, mas tolerado para entretenimento próprio. Se escrutinarmos tanto esta temporada como a implacável escritora esmiúça um mexerico, encontramos um diamante de primeira categoria, tanto em enredo como em atores e atrizes.

A primavera, as flores, as abelhas, os vestidos e os bailes são um chamariz para uma época de fantasia e volúpia. Para os mais recatados, aviso que os vestidos caem ao chão com alguma frequência, se não for do vosso agrado agradeçam o uso dos corpetes, dá tempo suficiente para mudarem de ambiente.

A luxúria era um dos frutos proibidos mais apreciados, fosse entre quatro paredes ou entre as colunas dos jardins secretos do nosso querido Duque de Hastings.

 A riqueza da série vem de inúmeros factores, alguns já mencionados e destaco também todos os cenários, figurinos, a própria linguagem utilizada que nos dá muitas vezes conta da curiosidade e vontade de ter um dicionário ao lado.

O pormenor de as interacções familiares serem tão importantes quanto as personagens principais, os diferentes tipos de amor que existem, eleva esta história ao ponto em que não é somente “mais uma” das inúmeras contadas. Temos consciência de que passar de livros para o ecrã da nossa televisão não é tarefa fácil, detalhes que se perdem ou transmutam nem sempre podem ser levados em consideração.

Não consegui encontrar uma única personagem oca. Até as criadas guardam substância, dando nós onde são necessários e tudo gira em torno da peça principal neste xadrez, a rainha.

Acontecimentos deliberados, o monopólio das heranças, a visão de uma mulher capaz de influenciar qualquer membro da sociedade.

Com a temática o contexto poderia tornar-se facilmente um clichê, mas a dose de mistério e reviravoltas satisfazem os corações mais rebeldes.

Para quem ainda não assistiu, a recomendação está feita. Se tiverem dúvidas, assistam somente ao primeiro episódio após isso deixo-vos à vossa sorte. Não sou uma Whistledown, mas garanto-vos que não quererão perder um único pedaço, passo a citar. “Uma perfeição que só visto!”

Nota: Este artigo foi escrito seguindo as regras do antigo acordo ortográfico.

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Comments 10
  1. Confesso que fiquei com a pulga atrás da orelha! Conseguirei resistir a esta série? Hum… se calhar não! Tudo por culpa da autora Diana Silva! Obrigada pela sugestão!

    1. Quando começares partilha connosco se gostaste também 😀 muito obrigada, beijinhos Margarida.

    1. A curiosidade traz bons ventos muitas vezes, quando vires a série partilha :D, beijinhos Olinda.

  2. Como concordo contigo, Diana! Uma serie imperdível! Muito obrigada por partilhares e me fazeres reviver, com um sorriso nos lábios, momentos bem-dispostos de uma das series mais leves que vi ultimamente, mas com mensagens muito pertinentes.

    1. É uma série para ler até nas entrelinhas. Obrigada pelo teu testemunho que complementa o artigo. Beijinhos Beth.

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