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As 7 vidas de um cabelo!

Desde miúda que arrisco cortes inesperados de cada vez que vou ao cabeleireiro. Com 13 anos ouvi o pior comentário de sempre, vindo ainda por cima da minha paixão da altura:

– Enfiaste uma tigela na cabeça e cortas-te tu o cabelo?

Acham que fiquei triste? Não, o meu cabelo não me deixou ficar triste e o dito cujo passou a ser a minha ex-paixão.

Tenho muito cabelo (muito, mesmo muito, e ainda bem) e com muito volume, mas não tenho paciência nem jeito para o pentear, secar, esticar e outros cuidados, o que faz com que embora saia do cabeleireiro sempre digna de capa de revista, o acordar do dia seguinte é sempre uma surpresa (nem sempre boa!), assim como é um desafio escolher o hairoutfit para sair à rua, principalmente quando estou fora de casa e me esqueço de levar uma escova (o que é bastante recorrente).

Há cerca de 3 anos, sentada na cadeira do cabeleireiro, ouvi a pergunta: – O que é que quer fazer?

Normalmente, quando marco cabeleireiro sei exatamente o que fazer, nesse dia não. Já tinha esgotado todas as ideias possíveis: passar de risca ao meio para risca ao lado, mais curto atrás, mais curto à frente, curto só de um lado, rapado por baixo, mais curto por cima, cortar muito curto, entre outros. O fato de o cabelo crescer, em média 1cm por mês, permite muitas opções. Sem ideias, e ainda sem coragem ainda para cortar todo o cabelo mesmo curto, olhei para a mulher na cadeira ao lado, e ouvi os meus lábios a dizerem: -Será que uma franja assim me fica bem?

Foi o suficiente para o cabeleireiro começar a medir, a puxar, a virar e a inclinar o rosto de perfil, aquelas coisas que acho que eles só fazem para nos tranquilizarem de que sabem o que fazem, e começou a cortar.

Na minha existência, tive farripas, poupas, mas nunca franja. Quando o corte acabou e depois do secador, fiquei satisfeita, mas receosa pelo próximo acordar.

Na manhã seguinte, embora tenha acontecido o “susto” do costume, após 3 breves passagens de um pente, o meu cabelo da frente ocupou o seu novo espaço como se estivera até aí a aprender boas maneiras de como ser franja. Aquele cabelo que normalmente ficava atafulhado e eriçado junto à face tinha finalmente encontrado o seu espaço, permitindo assim que o cabelo da parte de trás recuperasse espaço que até aí tinha que dividir, permitindo disfarçar assim o volume.

Tal e qual um adolescente celebra a conquista do seu espaço quando deixa de partilhar o quarto com os irmãos mais novos, assim parecia o meu cabelo, feliz, relaxado e cheio de vontade de conviver amigavelmente com o vento, a chuva, o frio e o mar. Nas semanas seguintes descobri também que a franja disfarça os cabelos brancos que teimam em estar sempre alerta e arrepiados, disfarça as pontas brancas a precisar de nova cor, assim como as sobrancelhas que começam a pedir intervenção (só vantagens para quem nem sempre está o atento à imagem).

Já vamos em 3 anos de convivência, agora arrisco na franja: curtinha, grande, média, certinha, esfarrapada, o que me dá na gana. Confesso que de vez em quando tenho saudades pontuais, como hoje, da minha testa e lá enfio uns ganchinhos ou uma fita, e vou por a testa ao sol tal e qual o caracol, mas ao fim de poucas horas e umas miradas ao espelho depois percebo que eu já não sou eu sem a franja na testa.

Estamos assim, inseparáveis, a minha franja e eu!

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