A espera

À espera dos que voltam. À espera de uma mudança. À espera que tudo corra bem.

Agosto, o mês das férias em que chegam os nossos emigrantes. Admirados por uns, porque trazem dinheiro. Invejados por muitos, porque viajam e conhecem novos sítios. Gozados por alguns, porque segundo eles não sabem falar português. Milhares e milhares de portugueses que vivem por todo o globo, mas, quando em Setembro nos deixarem esses portugueses e luso-descendentes, o que fica?

Aparentemente fica cada vez menos. A população envelhece. A taxa de natalidade lusa é uma das mais baixas da Europa. Cada vez mais, os jovens procuram sair do país e, com eles, sai também a possibilidade de renovação geracional. Quem fica, ou entra em Portugal não quer permanecer muito tempo, como no passado. São frequentes os casos de imigrantes que voltam para o seu país de origem, ou tentam migrar dentro da União Europeia. Segundo o INE (Instituto Nacional de Estatística) na última década Portugal perdeu meio milhão de habitantes entre os 15 e os 29 anos, que representam agora menos de 20% da população nacional, registando uma taxa de desemprego de 26% – o dobro da taxa geral nacional.

Penso tantas vezes no refrão de Jorge Palma… “Ai Portugal, Portugal / De que é que tu estás à espera?”

A Espera
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