silhouette of trees during sunset

Para onde vamos?

Atenção: este texto contém spoilers do penúltimo livro de Dan Brown, Origem.

Dan Brown utilizou duas questões fundamentais para escrever o seu penúltimo bestseller (a última obra do autor estará disponível para compra ainda durante o presente mês de setembro): de onde vimos? Para onde vamos? A segunda pergunta é baseada no desenvolvimento exponencial da AI (artificial intelligence) e na potencial simbiose entre os humanos e a AI, levando a um declínio das considerações religiosas.

A tese apresentada no livro é uma discussão atual da sociedade contemporânea. Por um lado, as religiões defendem a criação da vida com base numa entidade superior; por consequência, o final da vida levará o ser humano para um «plano» à parte. Por outro lado, a ciência e o avanço tecnológico, forças matrizes do aumento da esperança média de vida, defendem a criação da vida com a casualidade e a entropia, em teoria, e escusam-se a definir um caminho linear para a evolução da espécie humana.

Contudo, podemos concluir facilmente que os avanços tecnológicos não param e a sua evolução é cada vez mais rápida. Neste sentido, podemos admitir que o caminho do ser humano estará aliado à AI e às suas ferramentas. Agora, seremos aliados, concorrentes ou inimigos? Vamos encarar, à luz da literatura e dos filmes de ficção científica, o desenvolvimento exponencial da AI como um perigo?

Como seres humanos, espécie predominante do planeta, estamos habituados a liderar o presente e a pensar no domínio do futuro. De quando em quando, a natureza relembra-nos que não estamos sozinhos e que não detemos poder de forma exclusiva. O alerta climático é, talvez, a nossa maior preocupação como seres humanos. Estamos longe da espécie contemplativa e que vivia em harmonia com a natureza. Estamos a anos-luz dos homens que pensavam o presente e o futuro, estudando o passado. Associamos esses homens e mulheres a um tempo perdido na história do planeta; o tempo do pensamento, da racionalidade, do iluminismo, foi há mais de um milhão de anos, na perceção do homem moderno.

Atualmente, a nossa preocupação é primitiva: procura por recursos naturais, ambição na superioridade perante o próximo, procuramos o domínio, seja lá qual for o seu significado. Procuramos estas questões alicerçadas no medo de falhar, no medo de prejudicar o futuro. Olhamos para este de forma individual; para cada homem e mulher da modernidade, a mensagem em massa das religiões ou o desenvolvimento da AI não é tão importante como as ferramentas que podemos garantir hoje, agora, para ter um lugar de destaque no futuro. Já não pensamos, apenas desbravamos caminho. Seja lá para onde ele nos levar.

Poderá ser este um terceiro caminho trilhado pelo ser humano, menosprezando a mensagem poderosa das religiões e diminuindo ao essencial as necessidades tecnológicas? A individualidade atual, fomentada pela economia capitalista, levará a melhor no futuro da humanidade? Não faz sentido responder às minhas próprias questões, principalmente quando me assumo como pessimista. No entanto, acredito que o caminho traçado não será ideológico; será, sim, uma mistura de individualismo, credo e tecnologia.

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Novo Acordo Ortográfico.

Share this article
Shareable URL
Prev Post

O que nos move?

Next Post

Desconhecido Nesta Morada

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Read next

No Tempo Certo

Os tempos que vivemos são, para muitos, de incerteza, de medo, de dúvida, de pessimismo, com vaticínios…

Acima dos 120

Acho que andamos a alta velocidade. Pomos o pé no acelerador e só o voltamos a tirar, quando não vimos mais nada…

Robin uma Mulher?

Rumores norte-americanos têm dado conta de que, em breve, irá haver uma tremenda conferência de Super Heróis da…