Para alguns, situações que fogem da nossa “programação normal” geram desconfortos e nos fazem perceber que, de praticamente nada, em nossa vida, temos o total controle.
Sair da nossa zona de conforto, seja por qual motivo for, nem sempre – ou nunca – é literalmente ou metaforicamente, confortável. Seja por qual motivo for.
Uma separação, uma perda, um problema de saúde mais sério, uma decepção com alguém querido, daquelas que vem de onde menos esperamos e dói. Uma demissão repentina de um bom trabalho, o término de um relacionamento… Mudanças e surpresas que, consequentemente nos presenteia com um desconforto imediato e a longo prazo.
Cada pessoa reage de uma forma, obviamente. Para alguns, acontecimentos desses, podem não fazer tanta diferença e rapidamente se restabelecem. Para outros, pode ser até muito assustador, agoniante!
Uns conseguem enxergar, até nos maus momentos, a oportunidade em olhar para o lado, valorizar pequenas coisas, perceber que nada acontece por acaso e tudo há de ter um porquê – e há.
Entender que literalmente de um segundo para o outro muita coisa pode mudar pode ser um bom passo para a aceitação de quando o imprevisto nos bate a porta.
Pode ser a vida a nos provar que não comandamos nada.
Sabe aquela reunião programada para o primeiro horário da manhã? Ou aquele café combinado há tempos com a melhor amiga? Ou a viagem dos sonhos programada para começar amanhã?
Tudo isso pode ser cancelado se, com uma dor de barriga você acordar ou um filho que desperta maldisposto, tiver de cuidar. Ou um parente a telefonar, pedindo para acudir algum problema que surgiu. Os planos, a rotina, a programação habitual, sai do normal.
Coisas simples ou não, que todos podemos passar, mas a diferença estar em como cada um vai olhar para a situação vivida.
Por exemplo, ao partir uma perna. Temos aquele que vai desesperar, sofrer a cada minuto com o fardo de que estará obrigado permanecer em repouso e com limitação, com a rotina e planos desfeitos. Já outro – com a mesma perna partida – pode encarar como uma oportunidade de descanso, ainda que obrigatório, a chance de colocar a leitura em dia, as séries acumuladas na lista de preferidos na TV, escrever, relaxar, estar mais em casa com a família… enfim, possibilidades inúmeras que um acidente pode trazer e ser visualizado de forma também positiva.
Basta – mas nem sempre é simples assim – saber qual a forma que prefere enxergar o copo. A metáfora do “copo meio cheio ou meio vazio” representa a perspectiva com que se olha uma situação.
Ver o copo meio cheio significa ser otimista e focar no lado positivo. Mas se sua visão é pensar que o copo está é meio vazio, aviso: seu lado pessimista prevalece e a tendência de focar no lado negativo é mais forte e lidera.
A maneira de como olhamos o tal copo nos lembra que a mesma situação pode ser vista de diferentes ângulos e que nossa atitude diante dela influencia nossas emoções e decisões. Está nas nossas mãos resolver e seguir.
O ideal mesmo é encontrar um equilíbrio entre o otimismo e o pessimismo, buscando valorizar o que se tem, mas também reconhecer os desafios e buscar soluções.
E sim, na teoria tudo fica mais fácil, não nego. Falar é sempre mais fácil do que fazer.
Mas ter essa consciência já consideramos meio caminho andado e desacelerar para enxergar as pequenas coisas – aquelas que fazem a diferença – e que a “olho nu” passam despercebidas faz grande diferença.
A vida corrida: é dela a culpa! O viver em modo automático, sem reparar no que se faz. O fazer porque tem de ser, mas sem perceber bem o que se está a fazer.
Ouvir e acalmar. Ouvir. Já notou que por vezes perguntamos ao outro: “Olá, tudo bem?” mas nem esperamos a resposta? Emendamos em outra conversa ou seguimos caminho. O questionar se o outro está bem – sem aguardar a resposta – se tornou quase um “bom dia, boa tarde ou boa noite”. E quando por acaso, a resposta vem e paramos para ouvir, nem sabíamos o quanto aquele que respondeu, tinha para dizer. Para partilhar. Para desabafar.
E quando acontecer algo inesperado para ti ou para os que te cercam, mesmo que de imediato pareça mau e por mais difícil que seja – afinal, na teoria é sempre mais fácil, já sei – vale tentar pensar que nem sempre pode ser mesmo tão ruim assim.
Uma separação daquele que pensava ser o parceiro ideal e depois comprova que tinha outra pessoa que se encaixa bem mais, no futuro que agora virou presente…
Uma viagem que não foi cancelada de última hora e te livrou de um acidente…
Um passeio que não deu certo, que se tornou uma noite de cinema em casa com manta quente e pipoca doce…
Um emprego o qual foi demitido e te fez enxergar novas oportunidades, novos caminhos e conhecer nova gente…
Enfim, a lista é grande, os imprevistos imagináveis e a vida uma surpresa. Estamos de passagem por ela e nos resta aproveitar e valorizar.
Já diziam os antigos: “O que não tem remédio, remediado está”.
Observe. Abrace. Ouça. Acolha.
Viva. Cresça. Evolua.
E permaneça. Com sua essência, seus valores e seus amores.
Abasteça sua vida de amor. O próprio e por quem faça valer a pena.
A única certeza que temos é que não controlamos nada. Aceitar isso deixa tudo mais suave.
Nada é no nosso tempo e só temos a certeza desse exato momento!
Nota: Esse texto foi escrito seguindo as normas de português do Brasil