Beautiful lace wedding dresses on display in a bridal boutique, showcasing intricate designs and elegance.

O vestido de noiva branco

A noiva, vestida de branco, caminha pela nave da igreja, de braço dado com o pai. Com um beijo carinhoso na testa, o pai entrega-a ao noivo, a quem ela prometerá amor eterno, diante das madrinhas lacrimosas – Eis a cena-chave de um casamento tradicional, carregada de simbolismo e emoção, onde o vestido branco se destaca e atrai todos os olhares.

É claro que, nos tempos actuais, a pureza do branco já não representa uma escolha simbólica, mas estética.  O noivo terá sido o enésimo namorado da noiva, ele é divorciado e tem filhos, e os dois já moram juntos e dividem a despesas da festa. A cerimónia, e os seus significados perdidos, constitui uma encenação de um ideal romântico que resiste no imaginário feminino. E como, no mundo contemporâneo, a vida só ganha relevo se é “instagramável”, a lógica do espetáculo mediático invadiu o casamento. E o vestido de noiva branco tornou-se um elemento central na criação de imagens perfeitas para serem partilhadas nas redes sociais.

Hoje, mesmo em países onde os vestidos de noiva brancos não são a regra – como na China, onde tradicionalmente é o vermelho que simboliza sorte e prosperidade – algumas noivas vestem vestidos brancos para as fotografias oficiais. Sendo uma cor que deve ser evitada pelas convidadas, de acordo com a etiqueta de casamento, é o branco, que está reservado para as noivas, que as põe verdadeiramente em destaque.

Está documentado que foi Dona Filipa de Lencastre a primeira princesa da História a usar um vestido de casamento branco, em 1387: “Philippa preferira um hennin azul, com um véu branco, um vestido branco, brocado de ouro, e debruado com fio de seda em redor” in “Filipa de Lencastre, a rainha que mudou Portugal” de Isabel Stilwell, Livros Horizonte. https://www.livroshorizonte.pt/produto-etiqueta/isabel-stilwell/

Até aí, as noivas usavam vestidos de cores variadas, especialmente o vermelho. A escolha dessa cor deve-se “a razões ligadas à química das cores e às técnicas da tinturaria artesanal (…) pois, na gama dos vermelhos, a utilização do corante vegetal, ruiva-dos-tintureiros, permitia obter resultados melhores.”  in “Dicionário das cores do nosso tempo, de Michel Pastoureau, Editorial Estampa. https://www.bertrand.pt/livro/dicionario-das-cores-do-nosso-tempo-michel-pastoureau/84225

A rainha Vitória de Inglaterra teve um papel importante na popularização do vestido de noiva branco. Quando se casou com o príncipe Albert, em 1840, ela escolheu um vestido branco com rendas e, surpreendentemente para a época, usou um véu. O seu gesto foi visto como inovador e rapidamente tornou-se numa moda que se espalhou pelo mundo.

O vestido de noiva, independentemente da cor, representa um momento emocionante do passado de uma mulher. Quando alguém fica noiva, a mãe ou a avó vão buscar, ao fundo do armário, a enorme caixa amarelecida pelo tempo, onde guardam o vestido de conto de fadas que usaram durante apenas algumas horas. Mesmo que o vestido esteja roído pelas traças ou rasgado, ele não foi esquecido, ao contrário de tantas outras roupas. Através dele, revivem-se histórias e memórias, onde os sonhos de “e viveram felizes para sempre” permanecem, debaixo da pele da realidade.

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Novo Acordo Ortográfico

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