O problema do degelo no Ártico

Se estivéssemos num daqueles jogos de crianças cujo objetivo é adivinhar uma palavra com base na enumeração de outras que se podem associar ao seu significado e pretendêssemos que adivinhassem a palavra Ártico, urso polar e gelo seriam certamente o que mencionaríamos.

Em termos etimológicos, a palavra Ártico tem origem no termo grego “arktikós” que significa urso. Não por causa dos ursos polares, que os gregos naquela época nem sabiam que existiam naquelas latitudes, mas devido à constelação “Ursa Maior”, visível nos céus noturnos do Ártico.

Nesse enorme mar gelado adjacente a áreas continentais habitam os ursos polares. Uma das ameaças à sobrevivência desta espécie são os efeitos do aquecimento global na redução de gelo no mar, sendo que notícias recentes revelam que esta diminuição não mostra sinais de reversão e há um novo mínimo histórico.

O gelo marinho reflete a radiação solar, ajudando a manter o planeta mais fresco. A diminuição da extensão desse manto de gelo no Pólo Norte destabiliza o equilíbrio climático: na ausência de gelo o oceano escuro absorve mais calor contribuindo para o aumento da temperatura do mar, o que implica mais derretimento, criando um ciclo vicioso de aumento de temperaturas.  Medições recentes mostram que o gelo ficou mais fino ao longo dos anos, tornando-se mais suscetível a derreter.

O degelo do Ártico tem consequências nefastas para a vida no Planeta: o aumento do nível do mar que constitui uma ameaça para zonas costeiras baixas; alteração das correntes oceânicas que estão relacionadas com a sucessão de episódios meteorológicos cada vez mais extremos; alteração do habitat das espécies que habitam nessa área implicando a perda de biodiversidade; e a diminuição da água doce existente na Terra.

Para que, no mundo de amanhã, as crianças possam continuar a utilizar as palavras urso polar e gelo para adivinharem a palavra Ártico, é urgente que os adultos de hoje se empenhem na redução drástica das emissões de gases com efeito de estufa.

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