A Paz que construímos

Na próxima sexta-feira será anunciado o laureado com o Prémio Nobel da Paz. Até aqui, nada de especial, embora este seja um prémio que, nomeadamente nos últimos anos, não reúne consensos e vê-se sempre envolvido em polémica. Creio que, na verdade, o problema não é do prémio, mas sim da Paz.

Este ano a polémica começou cedo, com um grupo de personalidades russas a sugerir o nome do presidente Vladimir Putin para o Prémio, pela sua prestação ao longo dos anos na resolução de conflitos mundiais, como é o mais recente caso da Síria.

No entanto, como referi acima, creio que o problema não vem do prémio, mas sim da Paz, que se calhar já não é bem o conceito que era, ou que deveria ser, como o sr. Alfred Nobel deixou em testamento. Sim, sem dúvida que Putin tem trabalhado para a “fraternidade entre nações”, como o sr. Nobel preconizou, mas será a Paz algo apenas exterior? Dentro das próprias nações, como anda a paz? Na Rússia, homossexuais são maltratados, presos, agredidos e discriminados, os opositores ao “regime” são calados sob as mãos de Putin, que oscila entre Presidente e Primeiro Ministro, de forma impune, mas é elevado aos céus pelas conversações com excelentes resultados que levam a processos de paz (muitos deles bem podre, como é o caso da Síria).

Não, o prémio ainda não foi atribuído, mas espero que se consiga ultrapassar o espectro político e se valorize o que realmente é importante, o esforço individual, ou conjunto para a pacificação e a união entre os povos. Curiosamente, este é o ano que tem o maior número de propostas ao prémio, mais de 250, curiosamente lideradas pela Rússia. Na próxima sexta, pela manhã, saberemos se foi a política que ganhou, ou a paz, e se o prémio servirá, como tantas vezes, para marcar uma posição do comité, ou se realmente servirá para trazer maior protagonismo e visibilidade a questões sérias e profundas da humanidade.

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