O fim de um amor

Como é que se explica o fim de um amor?

Paula queria que alguém lhe dissesse onde se encontram as palavras certas para escrever um poema de despedida de dois corpos que se amaram e ainda se desejam. Na realidade ela já tinha procurado pela resposta a essa pergunta e não conseguiu encontrar alguém lhe explicasse a razão dessa dúvida que vivia consigo. Talvez porque não existe uma explicação coerente para deixar de amar alguém. Ou então, seria ela que não queria ver a verdade. Possivelmente tinha amado sozinha durante todo aquele tempo em que se sentiu amada. Por isso, hoje em dia abraçava-se a si mesma. Beijava os seus lábios e desejava o seu corpo para que não sentisse de novo na pele a frieza da solidão de amar quem não a queria amar.

Foram meses guardando no seu frágil coração momentos vividos. Foram horas perdidas a viver fora da emoção de sentir e que lhe rasgavam a alma com a lembrança de quem lhe tatuou na pele esse amor que ela não consegue apagar da sua memória.

Foi feliz, quando a felicidade lhe tocou no rosto, desenhando-lhe sorrisos que o sofrimento não saberá apagar. Sentiu-se amada quando na realidade ninguém a soube amar. Viveu de ilusões provocadas pelo vírus da paixão que torna cega a alma fazendo-a acreditar que existem emoções que não passam de sonhos que vamos sonhando para dar cor às nossas vidas. Não se deixa de amar, a verdade é que por vez amamos enquanto o outro vive só a paixão. O outro ensaia um amor que de repente nos provoca um desejo que irá arrefecer quando o tempo se cansar de nos ver sonhar.

O amor não acaba, é a ilusão que se cansa de estar sozinha e por isso mostra-nos o avesso dessa história que terminou antes mesmo de ter começado.

O mundo diz-lhe para esquecer, mas será Paula a decidir se o quer ou não amar eternamente! Será Paula a decidir o que fará com a memória daquele amor que ainda carrega nos seus sonhos. É que por vezes, tal como o café, também o amor começa a esfriar. A verdade do seu sentir está nas palavras que nunca precisará de lhe dizer. Está tudo naqueles gestos silenciosos em que lhe mostrou tudo o que os seus olhos não conseguiram ver. É no avesso do que todos vêm que está a verdade do seu sentimento.

Ainda o ama nas palavras sem letras com que todos os dias o abraça. Nas palavras que lhe tocam o coração sem que as suas mãos lhe sintam a pele. Teria bastado que ele a sentisse e seria óbvio o sentimento que lhe corria nas veias e lhe acelerava o coração.

Era fácil lê-la nas entrelinhas, escutando tudo o que não dizia. Samuel tinha tido, como nunca ninguém tivera, a possibilidade de a ver despida de segredos. Podia-a ter lido e saberia de que era feita. Só que ele era cego e não escutava o silêncio que só o amor sabe gritar. Ele via o mundo lá fora e nunca sentia o calor do que existia dentro de Paula.

Ele falou-lhe de promessas e sentimentos que não entendia e agora contradizia-se todos os dias pedindo-lhe para ficar.

A decisão estava nas mãos de Paula!

Samuel tinha de a deixar decidir. Tinha que a escutar e perceber se valia  pena continuar naquela história em que um ama e outro deseja. Paula tinha que decidir se deveria por um ponto final naquele amor que ela sentia e a que Samuel não correspondia.

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