Pump Up The Volume (1990) – Crítica

Talk hard, I like that. It’s like a dirty thought in a nice clean mind.

– Mark

Este filme conta a história do estudante Mark (Christian Slater), um aparente nerd que secretamente conduz uma emissão de rádio pirata que acaba por ganhar uma enorme popularidade  ao desafiar e inspirar a mente dos jovens de toda a escola.

Pouca gente conhece este filme e é uma pena que isso aconteça, mas acaba por acrescentar ao charme que toda esta película tem. Eu adoro este filme, já revi várias vezes e tem lugar cativo num dos meus favoritos de sempre. O filme é simples, não há nada de muito complexo nem de visualmente inacreditável , mas nesta simplicidade reside a beleza do filme : a mensagem.

Mark, interpretado por um jovem Christian Slater, representa o lado rebelde e interventivo que existe em cada um de nós e nisto ele apresenta-se no seu mundo presencial como alguém banal e sem muito para dizer, um pouco à luz de um super herói que esconde a sua verdadeira identidade de todos e se mascara numa “personagem” para fazer e dizer aquilo que quer. A rádio é uma parte central do filme e como tal a sua banda sonora brilha com facilidade e complementa bem toda a história. Aconselho a todos, um filme que puxa pelo sentido de mudança, de rebeldia, de irreverência e com uma simplicidade e eficácia que só os finais de anos 80 e inícios de anos 90 conseguiam ter.

* CUIDADO COM SPOILERS *

O filme começa imediatamente com uma espécie de “prólogo”, narrado por Mark, enquanto vemos várias imagens dos subúrbios da América, isto define o tom do filme e abre a porta para o que Mark é neste filme, uma voz sem face. Quando o filme desenvolve torna-se muito interessante ver a dicotomia de Mark na escola e Mark atrás de um microfone na rádio e o ator foi brilhantemente escolhido pois consegue apresentar as duas facetas com convicção.

Outra personagem que se torna fulcral e acaba por dar um balanço emocional a Mark é Nora (Samantha Mathis) uma das seguidoras da emissão de rádio e que coloca na cabeça que deve desvendar a identidade do misterioso locutor. A dinâmica dos dois é perfeita e genuína o que acaba por dar uma componente romântica ao filme, conferindo-lhe diversidade de géneros.

Existem cenas muito poderosas em que temas como bullying, suicídio, depressão, são abordadas de uma forma muito realista e como nos sentimos às vezes melhor a falar destes temas com alguém que não sabemos quem é.

O filme acaba por tocar também em como alguém que é admirado como uma celebridade acaba muitas vezes por ser “responsável acidental” por decisões de outros, quer seja por palavras quer seja por acções.

Em conclusão acho que é uma combinação perfeita de elenco, mensagem, banda sonora e um espírito jovem e irreverente que é captado aqui como poucos filmes o conseguiram. TALK HARD!

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